"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Trinta e poucos anos



Trinta e poucos anos


Chegar aos trinta e poucos não é triste e muito menos assustador como algumas pessoas pensam. Na verdade é um privilégio. Há quem faça 40 aos 20, outros aos 50, e alguns, jamais saberão o que é fazer 32. Perdem aqueles que não celebram por chegar nessa etapa.
 

Há quem reclame que o tempo não passa, pensei assim até completar os 18 anos. Mas ele não só passa como está acelerado. Eu passei mais de trinta, já é um bom tempo, não que eu pretenda parar por aqui, longe disso. O tempo interfere e muito na minha existência, não só quando estou em frente ao espelho que constato isso, é muito mais. O tempo passa e a gente cresce por dentro e por fora, alguns para os lados. Tudo cresce com o tempo, as preocupações, responsabilidades, sonhos, sentimentos, experiências... Talvez o número de amigos seja uma das coisas que não cresça com o tempo, na verdade, o tempo decide quem fica, quem realmente é quem. Quando mais jovens colecionamos companhias e damos o nome a isso de amizade, mas com o passar dos anos a gente vê o lugar certo que cada um ocupa e percebe que ter inúmeros contatos em redes sociais não significa muita coisa, mas já sabemos que no fundo um dos melhores antídotos contra a solidão é a verdadeira amizade e esses sim, são raros.
 

Acredito que chegar aos trinta e poucos é tipo concluir o ensino fundamental. Já sabemos o que queremos (devíamos), já temos uma profissão, lemos muitos livros (são eles que nos dão conhecimento, uma visão mais aberta da vida e ensinam a escrever), devemos ter algumas fotos (porque nem sempre podemos contar com a nossa memória, ela falha), colecionamos lembranças de viagens (nem que seja de ônibus metropolitano lotado em direção ao trabalho), já temos experiências amorosas (namoros, casamentos, decepções) há quem tenha filhos, e mais, temos coragem, que é resultado das experiências dos anos anteriores.


Já sabemos que o mundo está repleto de humanos, desumanos e os outros. Também tem os honestos, os desonestos e os outros, e por aí vai...os “des” já não nos surpreendem mais, causam revolta. Os “outros” não assustam mais, não nos importamos com o que eles pensam, pois eles sempre estarão prontos para nos criticar, nossa felicidade sempre irá incomodá-los.
 

Já aprendemos que alguns laços se muito apertados, viram nó, é preciso flexibilidade. Que ter opinião e emitir é “dar a cara à tapa”, pode render inimigos, mas que anular-se é passar pela vida sem contribuir em nada. Sabemos que razão e emoção andam lado a lado e que seja em qual delas nossas atitudes são amparadas, não precisamos mais de justificativas. Não precisamos mais nos explicar. Simples assim: porque sim! Devemos pagar a conta.


Também já aprendemos que aquele conselho “deixa rolar” é muito útil. Mas eu admito, eu só consigo deixar rolar aquilo que não me interessa. Os problemas não sumiram e isso nem vai acontecer, mas deixaram de ser coisa de outro mundo, todos têm. A paciência é uma virtude, a qual tenho exercitado diariamente para tê-la. Nessa fase a gente já tem sã consciência de que “Me desculpe” funciona que é uma maravilha.
 

Ah! Aos 32 a gente percebe que nossos pais realmente sabiam o que falavam quando nos ensinavam ou tentavam – muitas coisas. E não precisamos passar adiante aquela velha história que para se dizer uma pessoa realizada - completa é necessário casar, ter um filho e plantar uma árvore, nada disso, é suficiente ser feliz.


Pois é, quem tem a felicidade de chegar nessa idade, pode se considerar gente grande, como se diz por aí. Talvez o corpo e o cabelo apresentem mais do que a idade, talvez menos, mas não posso me preocupar com isso, pois a alma, que é o que realmente importa, é ela que deve estar leve. É assim que eu me sinto, como uma folha. Chegar aos 32 não é pra qualquer um.