"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Funcionário público desempregado


            Analisando os resultados de pesquisas apresentadas pelo Censo da Educação Superior, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep, o número de matrículas no ensino superior cresceu em 81% nos últimos 10 anos, um grande avanço para a educação do Brasil.

            Entretanto, o número de concluintes é de menos de 50% dos matriculados. Ou seja, é um privilégio para quem consegue se formar em um curso superior, ainda que o mercado de trabalho exija diariamente muito mais que um diploma.

            A concorrência é grande e qualificar-se, manter-se atualizado, é uma necessidade constante. Antes de tudo, que fique bem claro: pessoas sem ensino superior não são, necessariamente, “sem expectativa”. Porém, sabemos da importância e valorização dos estudos, razão pela qual questiono-me: O que seriam os concursados aprovados e aptos a trabalhar ainda não convocados?!

            Aprovar em um concurso de nível superior exige muito mais que um diploma. Determinação, disciplina, dedicação, força de vontade, coragem... São horas por dia, meses, e até anos de estudos. Consabido, é necessário abdicar-se da vida social, o que acarreta, muitas vezes, em términos de relacionamentos, distanciamento de familiares queridos e, em certos casos, até de sua terra natal. Atravessam o país, embora cientes dos problemas de logística. Arriscam-se em uma longa viagem, até 33 horas, de carro ou de ônibus, para chegar às vésperas de um teste físico ou psicotécnico e cumprir o que determina o edital. Ficam muitas vezes à merçê da sorte, enfrentando inúmeras dificuldades, como congestionamentos, ônibus lotados, vôos atrasados e quiçá cancelamentos. No campo físico, sofrem com a insônia, com a ansiedade, com a expectativa de um resultado que pode colocar tudo a perder - ou tudo a ganhar. E isso tudo, como cediço, demanda alto investimento, não apenas intelectual ou emocional, mas também financeiro. Candidatos usam suas economias, fazem empréstimos, alguns contam com o apoio financeiro de familiares, amigos e até doações. Demitem-se, pois às vezes torna-se inviável trabalhar nestas condições!

            Os candidatos vencem suas dificuldades dia após dia. Correm contra o tempo. Correm... e como correm! Correm 2km em 12 minutos num teste físco, sem nunca antes ter frequentado uma academia (por qualquer razão que seja). Há quem tenha corrido mais de 2km na prova, com sol escaldante, com chuva, com vento... enfim, um temporal "jogando contra". Mas chegaram ao fim com êxito. Uma luta para superar concorrentes e superar a si, suas próprias dificuldades.

            É necessário enfrentar a prova objetiva, discursiva, teste físico, psicotécnico, entrevista com psiquiatra, psicólogo, retestes, investigação social, perícia médica, exames e mais exames. Pessoas que, além de vencer toda essa maratona, estão dispostas arriscar a própria vida para “servir e proteger” a sociedade. E sem dúvidas, o desgaste da atividade policial é muito maior comparado a tantas outras profissões. Ainda assim, não é suficiente. Não basta! A força de vontade realmente tem que ser grande. É necessário lembrar que existe uma previsão legal que assegura o número de 8.137 mil policiais, mas que atualmente a Polícia Civil gaúcha conta com somente 5.5 mil servidores para 11 milhões de habitantes. É preciso reforçar o que está exposto diariamente nos jornais, o número da criminalidade avançando, a insegurança e a impunidade.

            Volto a questionar: O que seriam os concursados aprovados e aptos a trabalhar ainda não convocados¿! Funcionários públicos desempregados¿ Sim! A espera de que a política decida se valeu a pena tanta dedicação. “A sociedade clama por segurança e clama também por punição. Fala-se muito em impunidade, a falta de funcionários e processos que ficam parados, voando lentamente são causas da impunidade.”

 
            Qualificar e aumentar o efetivo da polícia civil já!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Trinta e poucos anos



Trinta e poucos anos


Chegar aos trinta e poucos não é triste e muito menos assustador como algumas pessoas pensam. Na verdade é um privilégio. Há quem faça 40 aos 20, outros aos 50, e alguns, jamais saberão o que é fazer 32. Perdem aqueles que não celebram por chegar nessa etapa.
 

Há quem reclame que o tempo não passa, pensei assim até completar os 18 anos. Mas ele não só passa como está acelerado. Eu passei mais de trinta, já é um bom tempo, não que eu pretenda parar por aqui, longe disso. O tempo interfere e muito na minha existência, não só quando estou em frente ao espelho que constato isso, é muito mais. O tempo passa e a gente cresce por dentro e por fora, alguns para os lados. Tudo cresce com o tempo, as preocupações, responsabilidades, sonhos, sentimentos, experiências... Talvez o número de amigos seja uma das coisas que não cresça com o tempo, na verdade, o tempo decide quem fica, quem realmente é quem. Quando mais jovens colecionamos companhias e damos o nome a isso de amizade, mas com o passar dos anos a gente vê o lugar certo que cada um ocupa e percebe que ter inúmeros contatos em redes sociais não significa muita coisa, mas já sabemos que no fundo um dos melhores antídotos contra a solidão é a verdadeira amizade e esses sim, são raros.
 

Acredito que chegar aos trinta e poucos é tipo concluir o ensino fundamental. Já sabemos o que queremos (devíamos), já temos uma profissão, lemos muitos livros (são eles que nos dão conhecimento, uma visão mais aberta da vida e ensinam a escrever), devemos ter algumas fotos (porque nem sempre podemos contar com a nossa memória, ela falha), colecionamos lembranças de viagens (nem que seja de ônibus metropolitano lotado em direção ao trabalho), já temos experiências amorosas (namoros, casamentos, decepções) há quem tenha filhos, e mais, temos coragem, que é resultado das experiências dos anos anteriores.


Já sabemos que o mundo está repleto de humanos, desumanos e os outros. Também tem os honestos, os desonestos e os outros, e por aí vai...os “des” já não nos surpreendem mais, causam revolta. Os “outros” não assustam mais, não nos importamos com o que eles pensam, pois eles sempre estarão prontos para nos criticar, nossa felicidade sempre irá incomodá-los.
 

Já aprendemos que alguns laços se muito apertados, viram nó, é preciso flexibilidade. Que ter opinião e emitir é “dar a cara à tapa”, pode render inimigos, mas que anular-se é passar pela vida sem contribuir em nada. Sabemos que razão e emoção andam lado a lado e que seja em qual delas nossas atitudes são amparadas, não precisamos mais de justificativas. Não precisamos mais nos explicar. Simples assim: porque sim! Devemos pagar a conta.


Também já aprendemos que aquele conselho “deixa rolar” é muito útil. Mas eu admito, eu só consigo deixar rolar aquilo que não me interessa. Os problemas não sumiram e isso nem vai acontecer, mas deixaram de ser coisa de outro mundo, todos têm. A paciência é uma virtude, a qual tenho exercitado diariamente para tê-la. Nessa fase a gente já tem sã consciência de que “Me desculpe” funciona que é uma maravilha.
 

Ah! Aos 32 a gente percebe que nossos pais realmente sabiam o que falavam quando nos ensinavam ou tentavam – muitas coisas. E não precisamos passar adiante aquela velha história que para se dizer uma pessoa realizada - completa é necessário casar, ter um filho e plantar uma árvore, nada disso, é suficiente ser feliz.


Pois é, quem tem a felicidade de chegar nessa idade, pode se considerar gente grande, como se diz por aí. Talvez o corpo e o cabelo apresentem mais do que a idade, talvez menos, mas não posso me preocupar com isso, pois a alma, que é o que realmente importa, é ela que deve estar leve. É assim que eu me sinto, como uma folha. Chegar aos 32 não é pra qualquer um.