"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ele tem carro?

Ele tem carro¿ Essa pergunta sempre vem seguida de outras duas: É formado em que¿ Onde mora¿ Sim, as respostas são pré-requisitos para preencher o perfil esperado de um homem que vale uma investida, para um namoro, noivado, casamento, um filho (...) tudo isso depende do questionário aplicado no decorrer da relação, das respostas baseadas em “valores”. Esse apresentado é o básico – inicial. Há um estereótipo do homem que “vale a pena”, definido por mulheres,  que boa parte delas não tem esses requisitos os quais procuram neles, outras se julgam superiores e classificam “isso” - nem sei como chamar  - como qualidade, ponto positivo, agrega muito uma relação.

Se eu gosto de carro e de conforto, praticidade entre outros benefícios que automóvel oferece¿ Sem dúvida que sim. Inclusive tenho o meu. Mas nunca tratei isso como qualidade, ou pré-requisito. Meu primeiro amor tinha carro, logo, eu era uma menina de sorte, havia feito uma boa escolha, na concepção de algumas pessoas. Não era só isso, ele tinha uma moto e apenas 22 anos, ou seja, tinha tudo para ser  o homem da minha vida. Eu me dei bem e tinha apenas 16 anos. Geralmente nessa idade andamos de mãos-dadas para pegar o ônibus ou vamos pedalando mesmo. Ah, ele não preenchia o restante do questionário com as respostas satisfatórias, segundo essa acepção.

A verdade é que ele tinha carro e moto porque fez jornada dupla no trabalho de motoboy por pelo menos seis meses, para conseguir dar uma guinada em sua vida. Ele não era formado em curso superior, afinal a vida só estava começando e até aquele momento, faltou-lhe oportunidade. A prioridade era trabalhar para seu sustento e cuidar da mãe. Ele também não morava em bairro nobre, era vila mesmo, onde ele tinha condições de pagar as despesas de moradia com dignidade. Mas ele tinha determinação, educação, respeito, generosidade, humildade, moralidade, coragem, força, caráter e, antes de qualquer coisa, ele tinha um coração.

Depois disso vivenciei outras experiências, inclusive com homens que preenchiam o questionário satisfatoriamente. Mas, deixa pra lá. A graça da coisa é poder observar tudo isso e chegar à conclusão de que com determinação e amor se chega muito mais longe de onde um carro poderá te levar.

O mundo está ao contrário. Os valores estão se desvalorizando. Homens “amam” pelos olhos e mulheres “amam” pelos ouvidos. Façamos algumas reflexões, nós mulheres: o que você tem além desse silicone e dessa chapinha¿ E para o sexo oposto: e você, além de um carnê de um financiamento de 60 meses do carro do ano e das roupas de marca, o que você tem¿ Aparência pode não ser tudo.


Estou trocando uma conta recheada e uma bunda dura por um amor verdadeiro - que segure a minha mão, e se tiver as duas pernas ficarei bem satisfeita.




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