"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Uma memória e um presente

Hoje eu não vi um passarinho verde, nem cor de rosa ou de qualquer cor que seja sinônimo de felicidade. Hoje eu não estou de aniversário, não recebi a resposta positiva de nenhum exame (seja de saúde ou profissional), eu também nem ganhei na Mega-Sena, nunca vou ganhar, não jogo. Não conheci o Brad Pitt ali na esquina, nem mesmo reencontrei meu avô Bastião. E o Teddy? Não, nem mesmo ele.
Eu ficarei imensamente feliz nessas situações, umas mais outras nem tanto, mas hoje minha felicidade deriva de algo que conta bancária nenhuma pode custear. Um email, exatamente! Uma recordação de quando eu estava iniciando minha trajetória profissional, de um período que eu aprendi muito, um aprendizado que carrego sempre comigo, seja no trato com as pessoas, o convívio no ambiente de trabalho, seja para ser um bom profissional, ou o melhor que eu puder ser. O que me surpreendeu mais, foi que esse presente não foi do meu melhor amigo, não de alguém que eu tenho uma relação próxima, que mantenho contato regularmente. Trata de alguém que após esses 15 anos poucas foram as oportunidades que tivemos de nos reencontrar, para exemplificar - veja só:  nos últimos três anos, estivemos juntos por  duas vezes; Uma pizza e um café. Eu realmente não encontro palavras para responder, para agradecer, para demonstrar o orgulho e a tamanha felicidade.
Resumindo, eu só posso dizer: "Se eu soubesse antes o que sei agora, faria tudo exatamente igual".

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Os "sem razão" fazem toda diferença



Nos últimos dias as ruas do Brasil tornaram-se uma grande arquibancada democrática. Os brasileiros munidos de uma extensa pauta de insatisfações, cansados da desigualdade que se perpetua estão empenhados em busca de condições dignas.



Vinte centavos no reajuste das tarifas do transporte público foi o estopim, o início de um movimento que se alargou, despontando no exercício pleno da cidadania de um povo que acomodado ou dormindo – acordou!



Reivindicações como assistência básica fundamental – saúde, educação de qualidade e ao alcance de todos − privilégio aos políticos, obras públicas superfaturas e inacabadas e a intolerância à corrupção, estão entre outras causas que desencadearam o movimento da população, que cobra resposta do governo, e tem pressa, pois já cansou de esperar.




Grupos organizados de forma pacífica já obtiveram alguns resultados satisfatórios, entretanto, pessoas infiltradas, sem objetivo legal, que aproveitam do momento para demonstrar sua falta de educação e respeito, mudaram a direção das manifestações. O que inicialmente tinha por objetivo ser o povo contra o governo, passou a ser o povo contra o povo. É o que podemos observar com as depredações e saques, agressão ao patrimônio, seja ele público ou privado.



É evidente que este movimento dos “Sem Partido” é uma forma nítida da democracia, é o esforço de um povo que está pensando num futuro justo, digno, e trabalha para a construção de um passado da desigualdade social, mas infelizmente, não está sozinho, segue acompanhado da ignorância dos “Sem Razão”.



Hoje é dia de greve nacional, considero uma continuidade às insatisfações, os sindicatos reuniram-se, objetivos particulares de cada categoria, mas que somados resultam na luta por melhores condições. Acreditei que por ser algo melhor planejado, fôssemos observar algo mais tranquilo, pacífico, no entanto, o dia está apenas começando e o que vejo lá fora, são pessoas muito mais que munidas de questionamentos, eles estão fortemente armados. Pedaços de pau, pedras, fogo, bombas, estupidez e muito “quebra pau”. Os “sem razão” fazem toda diferença, de forma negativa, infelizmente!

domingo, 7 de julho de 2013

Tri Triste



“O coração de Porto Alegre pegando fogo.”



Não derrubaram a minha casa, não exterminaram meu jardim, nem mesmo interditaram lugares dos quais costumo frequentar a lazer, mas o fogo que atingiu o Mercado Público de Porto Alegre atingiu-me também.  Nunca tive por costume fazer compras lá, mas saber que ele estava a minha disposição para oferecer uma infinita diversidade de produtos com qualidade e bons preços... não consigo explicar, traduzir em uma palavra, mas me bastava saber que “eu” tinha o Mercado Público. Nunca trabalhei lá, não tenho conhecidos que dependam financeiramente dele, no entanto, tenho noção de quantas famílias veem no mercado a extensão de sua casa, mais que um “ganha pão”, muito mais que isso, existe uma relação de afeto, uma história, ou várias. Um ponto turístico dos gaúchos, que muitos talvez nem considerem, mas eu já levei amigos turistas para conhecer e assim pretendo continuar fazendo. Vejo como uma necessidade ao contar a história de Porto Alegre, ao apresentar a capital ao visitante.  Fico procurando palavras para explicar, demonstrar como fiquei triste com este acontecimento, mas não consigo, sinto como se tivessem roubado algo íntimo. Eu não estou morando em Porto Alegre, possivelmente eu ficaria muito tempo sem frequenta-lo, mas eu precisava saber que ele estava lá, como sempre esteve desde que me conheço por gente, com todo aquele cheiro de peixe, com aquela “muvuca” das pessoas circulando, como refúgio das chuvas nos dias que eu estivesse sem sombrinha, como parte da minha história e de todo Rio Grandense. Talvez esse tipo de sentimento explique o porquê dos gaúchos serem vistos como bairristas.  Acredito que sou só mais uma entre muitos que estão lamentando, pensando desta forma, afinal, faz parte da nossa tradição, da nossa cultura, do nosso Estado – “é o coração de Porto Alegre pegando fogo” - extremamente triste, traduzindo para o nosso dialeto–Tri triste!