"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

“O homem que diz vou, não vai...”

Janeiro de 2012, dia 23. Inicio de dia bom, ouvindo a 104,7 Fm, Rádio Universitária, de Vitória, Espírito Santo, no comando Léo Cobal, que atende ao meu pedido, há quilômetros de distância e, dedica carinhosamente o Canto de Ossanha, por Manaca . Aprecio a letra desta música “O homem que diz "dou" não dá, porque quem dá mesmo não diz. O homem que diz "vou" não vai, porque quando foi  já não quis...”, concordo com Baden Powell, a gente aprende com o tempo que geralmente é assim. Como diz o ditado popular: Cão que ladra, não morde. Pois bem. Segunda-feira tranqüila, dia de adquirir plantas para casa nova, cuidar do Teddy, meu mascote, nada de muito diferente. Não fosse a ida para o jantar.

Em uma das avenidas principais de Porto Alegre, primeiro avisto um senhor perambulando entre os carros com um pedaço de pau na mão, ele ameaçava quem passava próximo. Espanto-me! E prossigo.... apenas um minuto, suficiente para observar a moça que em cima da passarela, cruzava a perna sobre a grade de proteção, no intuito de se jogar. Gritei de dentro do carro: “Não moça!”, e no mesmo momento larguei a direção correndo ao encontro dela, que já se encontrava no chão.

Uma jovem, aparentava uns vinte e poucos anos. Inicialmente inconsciente, mas respirava.  Até a chegada do socorro ela abre os olhos e consegui algumas palavras, endereço, nome e até o pedido ...”bizarro”. Sem sentir os braços e com um corte no queixo que vazava de orelha a orelha, ela me pede um cigarro. No mínimo, irônico. Teve uma grande fratura em seu pescoço, mas seguiu com vida para o hospital. Não sei como ela está hoje, não sei os motivos que levaram aquela jovem a fazer isso. Pessoas indignadas perguntavam, o por quê? Tantos perdem a vida todos os dias e queriam viver mais, enquanto outros desejam não estar mais aqui.

Quem sou eu para ter as respostas, quem sou eu para ter as respostas certas. Mas, tenho minha opinião. Acredito que geralmente esses casos são fugas, seja de uma dor, perda, solidão, sentimento de incapacidade, impossibilidade de resolver algum problema. Problemas que todos nós temos. Afinal, nós brasileiros estamos acostumados a “matar um coelho por dia”. Contas, absurdos de impostos, desemprego, perda de pessoas queridas, fim de namoro...” no entanto, não há um manual de instrução de como reagir diante deles e mesmo se houvesse, sabemos que regras não se aplicam na vida real.

As pessoas reagem de forma diferente diante de suas verdades, de suas dores. Para aquela moça, essa foi a alternativa, talvez mais rápida, porém, acredito, infeliz. Refletindo com meus melhores amigos, os botões, após o ocorrido, fiz uma retrospectiva do meu dia e voltei ao canto acima citado, conclusão? Nenhuma! Apenas reflexão: Nem todos os homens dizem “dou” ou “vou”, muitos, simplesmente, vão ou pelo menos tentam. Não sei em qual situação a moça se encaixa. Não tive notícias.


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