"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A crônica da crônica



Jeanne Bilich 


Ecos do carnaval 

Já navegamos nas águas de março, mas ecos do carnaval ainda me chegam. Não o som dos atabaques e tamborins mas, sim, repercussões – é no plural, mesmo! – da crônica “De Máscaras e Fantasias”, publicada na terça-feira (16/02) de carnaval.

Da jovem Luciana Barth recebi, via-e-mail, a “crônica da crônica” que reproduzo pinçando parágrafos: “A máscara poderá cair, mas preciso desabafar. Descobri que há muito tempo eu vivo fantasiada. Carrego as fantasias epidérmicas, piercing umbilical e os turbinados, mas não “ameaçadores” silicones. Aderi à tribo dos antes vistos como marginais para me diferenciar nesse mundo em que todos (devem) se parecer. A tatuagem é como uma marca pessoal. Apliquei no umbigo, como diria minha avó – um lindo brinco – para que pudesse ser ainda mais visível a boa forma que desfilava, ou pensava. Quanto aos mísseis turbinados, esses, quando descobri que a Amélia de Ataulfo e Mário Lago já tinha perdido espaço para as Sheilas e Feiticeiras aperfeiçoadas pelos discípulos do Pitanguy, não resisti. Por que não aderir ao clube das mulheres de verdade, aquelas que têm vaidade?”

Parabéns pela bela crônica!.. E pela delicadeza: “Isso não é um protesto, é uma forma diferente de ver.” Aplausos. Após ler o texto, velha repórter que sou, empreendi pesquisa informal. Consultei, interroguei, telefonei e, claro, incomodei os jovens amigos. Sim, desfruto desse privilégio! Somam mais de dúzia, na faixa entre os 20 e 30 anos. O resultado? Bem, não obtive consenso! Fragmentação. Há os que têm tatuagens, “discretas”, apressaram-se em dizer; os que não têm e não pretendem tê-las; os que cogitam tê-las, mas debatem-se sobre o quê tatuar. Entre os que não têm, o medo do definitivo: “E se eu mudar de ideia, Jeanne?...” Já os que as têm, guardam convicção que as tatuagens – frases, nomes, símbolos míticos ou poéticos – expressam imutáveis valores e afetos.

Dialogando com os reflexivos botões, concluí: sendo a pós-modernidade fragmentada, célere, reino do efêmero, os jovens capturaram o espírito do tempo, filhos legítimos deste zeitgeist contemporâneo. E Baudrillard soprou-me ao ouvido: “Vivemos na cultura do excesso, do exagero. Busca-se uma identidade no vácuo da subjetividade”. Tatuar-se como marca pessoal – como crê a geração da Luciana – implica leitura subjacente do naufrágio da singularidade humana na sociedade de massa. Mais: sinaliza grave crise de identidade!

Cabe ao tatuador e ao cirurgião plástico o resgate da confortável sensação de “ser”. Existir como indivíduo. Doloroso, não sagaz leitor?! Pois, afianço-lhe, Luciana, que sua identidade funda-se na subjetividade expressa na crônica – aí, sua marca pessoal - e não nas tatuagens que lhe fantasiam a pele.

E a discordância final: “Por que não aderir ao clube das mulheres de verdade, aquelas que têm vaidade?”. Seu conceito sobre “mulheres de verdade” abalroa frontalmente com o meu!... Mulheres de verdade, na minha ótica, são aquelas detentoras de comportamentos, valores, caráter, garra e coragem, sendo a beleza física um acréscimo. Detalhe estético.

Jamais a razão determinante que as fez (ou faz) sócias do clube das mulheres de verdade!... Na minha geração, a busca exacerbada pela beleza significava ser objeto sexual e na sua – suponho – patricinha. Paris Hilton. Celebridades efêmeras!... Bem-vinda ao sólido clube dos cronistas que, aliás, o Espírito Santo é celeiro nato e pródigo!...
16/03/2010 - 00h00 - Atualizado em 16/03/2010 - 00h00

A GAZETA

 

Crônica

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Alô Tio Patinhas

Antes mesmo de conhecer a música, eu já sabia: Sábado à noite tudo pode mudar. Estou sendo redundante, mas é necessário: sou da noite, bicho solto! E sabe por que insisto? Por que as maiores proezas que a vida poderia me reservar, se revelaram ao calar, cantar e dançar da noite. Inclusive, boas amizades.

Há quem acredite que somente é possível construir uma amizade após muitos anos de convivência e proximidade contínua. Eu discordo, pois tenho coleções de amigos. Relações que foram construídas das formas mais distintas e até bizarras, possíveis e inesquecíveis. Elas não exigiram tempo, profundidade e proximidade, mas sim, reciprocidade de caráter. E asseguro, não são passageiras.

Certa vez uma amiga me presenteou com um “troféu”, nele dizia o seguinte: Quem tem um amigo, tem um tesouro. Eu sou rica! Pois bem, eu também. 

Segundo filósofos, a amizade é uma virtude extremamente necessária a vida. O conhecimento de uma a outra pessoa que desejam entre si reciprocamente o bem, é a condição básica para se constituir uma relação de amizade. Além de condições específicas como: o tempo, a intimidade, a confiança, a cumplicidade, o amparo, o caráter, o gosto e objetivos em comum, requisitos essenciais para que se torne uma relação invulnerável, verdadeira e perene.

A partir desse liquidificador de sentidos e sentimentos, misturados e não triturados, surge à verdadeira amizade. Como define Aristóteles – “a boa”, pois além desta, existe a agradável e também a útil. Eu já provei das três. Mas, apenas a boa merece atenção e dedicação do meu tempo. É ela quem torna a vida indiscutivelmente preciosa.
Diferente dos meus muitos sábados, hoje, foi dia de ficar em casa. E porque não saber como estão os amigos distantes?! Obrigada facebook, pela noite agradabilíssima. Regressei a janeiro de 2011, Espírito Santo, sábado à noite, amigos e uma mesa de bar. Lembro-me que era aniversário de uma xará, que até aquele dia, desconhecia. Ela tinha tudo para ser à inconveniente da noite, por ocupar a mesa que a mim foi reservada. Bendito seja o destino, os sábados, a noite, a nossa Trilha, aquela mesa.

Sei que este não é um privilégio meu, penso que outras tantas amizades assim iniciaram, neste texto eu fiz referência a um caso particular, pois eu precisa compartilhar o que me fez rabiscar essas mal traçadas linhas. No facebook: de Lu para Lu: O melhor é poder contar com uma amiga que mal conheci, mas somos afinadas como cordas de um violão...independentes, solitárias, e juntas soa uma música que qualquer artista gostaria de cantar.

Eu também precisava desabafar: alô Tio Patinhas, minha fortuna é indiscutivelmente superior a sua, morra de inveja!   ;)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

“O homem que diz vou, não vai...”

Janeiro de 2012, dia 23. Inicio de dia bom, ouvindo a 104,7 Fm, Rádio Universitária, de Vitória, Espírito Santo, no comando Léo Cobal, que atende ao meu pedido, há quilômetros de distância e, dedica carinhosamente o Canto de Ossanha, por Manaca . Aprecio a letra desta música “O homem que diz "dou" não dá, porque quem dá mesmo não diz. O homem que diz "vou" não vai, porque quando foi  já não quis...”, concordo com Baden Powell, a gente aprende com o tempo que geralmente é assim. Como diz o ditado popular: Cão que ladra, não morde. Pois bem. Segunda-feira tranqüila, dia de adquirir plantas para casa nova, cuidar do Teddy, meu mascote, nada de muito diferente. Não fosse a ida para o jantar.

Em uma das avenidas principais de Porto Alegre, primeiro avisto um senhor perambulando entre os carros com um pedaço de pau na mão, ele ameaçava quem passava próximo. Espanto-me! E prossigo.... apenas um minuto, suficiente para observar a moça que em cima da passarela, cruzava a perna sobre a grade de proteção, no intuito de se jogar. Gritei de dentro do carro: “Não moça!”, e no mesmo momento larguei a direção correndo ao encontro dela, que já se encontrava no chão.

Uma jovem, aparentava uns vinte e poucos anos. Inicialmente inconsciente, mas respirava.  Até a chegada do socorro ela abre os olhos e consegui algumas palavras, endereço, nome e até o pedido ...”bizarro”. Sem sentir os braços e com um corte no queixo que vazava de orelha a orelha, ela me pede um cigarro. No mínimo, irônico. Teve uma grande fratura em seu pescoço, mas seguiu com vida para o hospital. Não sei como ela está hoje, não sei os motivos que levaram aquela jovem a fazer isso. Pessoas indignadas perguntavam, o por quê? Tantos perdem a vida todos os dias e queriam viver mais, enquanto outros desejam não estar mais aqui.

Quem sou eu para ter as respostas, quem sou eu para ter as respostas certas. Mas, tenho minha opinião. Acredito que geralmente esses casos são fugas, seja de uma dor, perda, solidão, sentimento de incapacidade, impossibilidade de resolver algum problema. Problemas que todos nós temos. Afinal, nós brasileiros estamos acostumados a “matar um coelho por dia”. Contas, absurdos de impostos, desemprego, perda de pessoas queridas, fim de namoro...” no entanto, não há um manual de instrução de como reagir diante deles e mesmo se houvesse, sabemos que regras não se aplicam na vida real.

As pessoas reagem de forma diferente diante de suas verdades, de suas dores. Para aquela moça, essa foi a alternativa, talvez mais rápida, porém, acredito, infeliz. Refletindo com meus melhores amigos, os botões, após o ocorrido, fiz uma retrospectiva do meu dia e voltei ao canto acima citado, conclusão? Nenhuma! Apenas reflexão: Nem todos os homens dizem “dou” ou “vou”, muitos, simplesmente, vão ou pelo menos tentam. Não sei em qual situação a moça se encaixa. Não tive notícias.