"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mulher de quinta

Eu tinha completado dezoito anos no dia anterior, tinha quatro irmãos, nenhum namorado e tinha uma vontade roxa de viver. Foi quando lá na rodoviária de Porto Alegre, eu embarquei sozinha em um ônibus da Viação Itapemirim, de mala, cuia e algumas verdades na bolsa pra contar. Aproximadamente após trinta e quatro horas de chão, eu comecei a ficar assustada com a quantidade de pedras e bananas que cercavam a estrada. Não demorou muito e cheguei a Vitória. Muita gente diferente e um calor senegalesco, além de uma vida inteirinha pela frente. Hoje, eu tenho vinte e nove anos, nove irmãos, nem um namorado e uma vida capixaba de onze anos. A bagagem se tornou bem maior, carrego muita saudades, mentiras e também verdades. Agora sim, meu Espírito já é Santo.


Quantos aniversários já se passaram. Quantos bons motivos para festejar. Por isso, comemorei com “força” na semana passada, diferente de muitas pessoas que sofrem de decrepitude e se escondem do mundo nesse dia. Eu, ao contrário, faço questão de receber cumprimentos. Afinal, quando criança, haja brilho para disputar espaço entre tanta purpurina e lantejoula, época de férias escolares e carnaval, dificilmente alguém além da família lembrava da data.


A primeira festa da qual me recordo foi a de dezesseis anos (minha primeira balada forte). Organizamos uma reunião dançante com direito a coquetel de frutas – etílico. Lógico, tudo muito controlado, inclusive o horário do término, uma hora da manhã – estourando! Depois disso, sempre tento reunir as pessoas mais queridas para apagar as velas. Não foi diferente na última sexta-feira. Marcamos um encontro num bar bacana que a turma costuma frequentar. Conhecidos e desconhecidos dançavam empolgadíssimos ao som da Banda Trilha (www.bandatrilha.com.br) e também se entendiam às maravilhas. Uma verdadeira mistureba de “gente fina e elegante”. Só assim pra apagar aquele exagero de velas que cobriam os cupcakes (da Maria Confeiteira). E, assim, festejei o início do meu ano novo, querendo repetir a dose.

Mensagens chegaram antes, durante e depois do grande dia, e curiosamente soaram como conforto, do tipo: “Felicidades! Parabéns, mais velinha...! Viva! Mais uma primavera... Sorria, grande mulher, hoje é seu dia....Finalmente, mais experiente, adulta, madura... Happy birthday, criança! Você ainda tem muita vida pela frente...” e por aí vai.

Madura?! Madura é fruta. Eu sou humana. Ora bolas! Adulta?!Suspeito que sim. Pelo menos é assim que chamam as pessoas que trabalham, pagam suas contas, são responsáveis pelos seus atos, votam, fazem suas escolhas, cedem a pequenas tentações, erram, acertam e aparentemente tem a cabeça no lugar. Agora, madura? Sempre ouvi dizer que os maduros têm certeza de tudo, não vacilam, sabem se comportar, nunca gastam mais do que ganham, não tramam fugas românticas e jamais exageram na dose.


Eu realmente envelheci e não amadureci. Prefiro pensar que eu sou uma mulher de quinta. Exatamente! Curtindo minha quinta infância. Às vezes, eu ainda preciso do colo de mãe, também brigo por coisas frívolas, fraquejo, faço teatro, escrevo declarações e confesso, em silêncio e na solidão que ainda choro agarrada ao travesseiro.

Luciana Barth