"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"(Docemente Pornográficos)"

Em face dos últimos acontecimentos, senti necessidade de penetrar melhor o assunto. Ontem apresentei em sala de aula uma resenha crítica sobre literatura erótica, abordando a coletânea de contos “Bom-Tom”, livro de produção capixaba - Pedro Antônio Freire e Raoni Huapaya. O assunto aguçou desejos, estava estampado na cara dos colegas o clímax pela literatura explorada, que por eles, até aquele momento, pouco ou quem sabe nada experimentada, não desta forma, materializada por palavras. Entre a troca de experiências percebi que não foi possível esgotar a discussão acerca da diferença entre o erótico e o pornográfico, e a dúvida continuou a pulsar, tive certeza ao verificar meu correio eletrônico hoje, o erotismo se faz latente. Entre as mensagens recebidas estava o link que uma colega transmitiu para toda a turma ter acesso ao livro comentado. Êxtase? Satisfação? Que nada! O nome do que senti foi - prazer, isso mesmo! Afinal, vi que de certa forma instiguei eles a conhecer o gosto deste gênero literário, revelado assim, na ponta dos dedos.



Ratificando o que disse ontem, trata de um assunto que todos nós seres humanos conhecemos e em algum momento de nossas vidas temos contato, uns revelam mais afinidade, se tornam íntimos, outros, nem tanto. O sexo, o erótico e o pornográfico existem desde que homem é homem. Verdade! No século VII a.C a poetisa grega Safo já exercitava o erotismo. E não venham me dizer que isso foi na Grécia, que trata de um estilo marginal, sujo ou de mau gosto. Temos diversos autores conhecidíssimos nossos. E, eu não me atrevo a usar a língua para discordar ou questionar obras de Gregório de Matos, Manuel Bandeira “Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma./.../ As almas são incomunicáveis./Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo./Porque os corpos se entendem, mas as almas não” e tão pouco Drummond que tinha por hábito apimentar seus poemas com desejos, explícitos ou não “...o bonde passa cheio de pernas/ pernas brancas pretas amarelas/ Para que tanta perna, meu Deus...”


Ainda assim, a censura se faz presente. Hipocrisia, medo, ignorância e falso moralismo justificam em parte essa recriminação, mas não se esgota por ai. Estudiosos explicam que a presença do obsceno tanto no erótico quanto no pornô causam esse conflito, a dificuldade de distinção e até o pré-conceito, fazendo com que muitas pessoas pensem que esses assuntos devem ser ocultos, ou concebidos somente quando as luzes se apagam.


Escrevi uma página tentando entender essa desordem, quando de repente, como uma “rapinha”, ouvindo hoje o programa Bandejão da Rádio Universitária – 104.7 FM, apresentado por Rodolpho Paixão, a relação torna-se ainda mais conflitante. Abusando da compreensão dos ouvintes– “eu puxo o seu cabelo/ faço o que você gosta/ dou tapa na bundinha vou de frente, vou de costas”, inicia o programa. Questiono: Se literatura erótica dedica-se ao prazer, estudando o corpo, expressões, sentimentos e tem por objetivo despertar o desejo, enquanto o pornográfico é o sexo explícito, o que seria isso que meu colega colocou pra tocar? “Estética Radical”, respondeu. É indiscutível a vulgarização da mulher e a banalização do sexo na atualidade, mas parafraseando Drummond – “Oh! Sejamos pornográficos (docemente pornográficos)”, porque da forma apresentada no programa, o assunto se torna indigesto. Concorda Paixão?!

3 comentários:

  1. Concordo com tudo em Lu! e eu sou uma das pessoas que gostou deste gênero literário, rs
    me empresta o livro ein?

    ResponderExcluir
  2. ei, lu
    parabéns pelo post!
    vou voltar aqui para discutir mais sobre literatura e erotismo.

    Abraço,

    Rao.

    ResponderExcluir