"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mas


Nos últimos dias me vejo cercada de pessoas que acabaram de terminar um relacionamento, redundante, mas como posso falar se a verdade é que estão acabando, terminando, estão em processo?! Vai lá, me vejo cercada de pessoas em processo de desquite. Sim! É mesmo uma separação, ainda que eles não tenham ouvido toda aquela missa “até que a morte os separe”, a maioria dos namoros é quase um casamento, as pessoas dividem escova de dente, toalha e dormem juntos quase todos os dias. A quarta-feira deixou de ser um dia esperado pelos casais.

O que me desperta a atenção é que todas essas pessoas que estão nesse processo tecem inúmeros e invejáveis elogios aos ex, e que o motivo do término nunca é por falta de sentimento, e sim por conta do advérbio “mas”.

Quantas mulheres não gostariam de ter um homem que paga a conta e ainda permita que ela decida tudo, local, cardápio e até a roupa que ele vai vestir? Quantas não subiriam o Convento da Penha de joelhos para agradecer por ele não gostar de futebol, play station e carro? Quem não casaria com um homem que nunca irá troca-lá por amigos e uma mesa de bar? E quem não morreria de amores por alguém que se preocupa com o seu café da manhã, vai à padaria logo cedo e ainda faz suco de laranja. Mas... É ai que entra o advérbio. Mas, falta alguma coisa! Mas, ele deixa a tolha em cima da cama. Mas, ele ronca, mas ele não sabe discutir, eu brigo sozinha, mas ele tem um filho, mas a ex-mulher dele está viva...Incrível! Nunca estamos satisfeitas. Não é em vão que dizem que mulher não é um ser para ser entendido.

Muitas mulheres entram numa relação conhecendo a bagagem que o parceiro carrega como: ex-mulher, filhos, ex-galinha, ex-namoradas ameaçadoras e tantos outros ex. Outras fazem de conta que não enxergam a verdade que está na ponta do nariz. No fundo todas pensam da mesma forma, na hora abre-te-sésamo da paixão, elas tentam se convencer de que vão conseguir driblar qualquer obstáculo ou dificuldade, tudo é possível em nome do amor. Só que um dia a paixão acaba. E agora?!

Agora, contate todas as amigas que você se distanciou por que você preferia ficar vinte e quatro horas grudadas nele. Aceite todos os convites porque senão uma hora elas desistem. Freqüente as festas que você nunca se imaginou, mesmo que seja como penetra, eventos políticos, aniversário de criança. Esteja entre pessoas, seja vista, seja lembrada. Quebre paradigmas, preconceitos. Arrume alguém para te fazer companhia no domingo à tarde, ou esteja de ressaca para não curtir a depressão digna do finalzinho de semana. Faça qualquer coisa para não ter que se contentar com as imbecilidades da televisão desse dia, pois isso pode ser um convite para os remédios controlados. Beije na boca mesmo sem estar apaixonada e se você acordar do lado de alguém que conheceu na noite passada e nem lembra o nome, desencana! Tem gente que namora por nove anos e só depois que acaba descobre que não conhecia. Tenha um amigo médico, que te convença que você é hipertensa, assim sua consciência ficará tranqüila, você poderá fazer sexo, sem que seja com o namorado de anos, afinal como disse o Ministro da Saúde: Sexo faz bem para quem sofre de pressão alta. Siga o conselho de quem entende, mas lembre-se: com proteção!

Depois de algum tempo você encontrará alguém para dividir a pizza, assistir um filme, te buscar para almoçar no trabalho, trocar presente no dia dos namorados, mandar flores e dizer que te ama. Não vai demorar muito tempo e você perceberá que o tal advérbio, mesmo que precedido do “eu te amo”, sempre vai te acompanhar. Relacionamento é isso! Mudam as pessoas, mas as pessoas não mudam e nem os porquês que as acompanham.

Proponho uma inversão. Se imagine no lugar dessa criatura que divide a cama com você. Pense nas frases que passam pela cabeça dele sobre você. Não é muito difícil: Elas nunca estão satisfeitas!

Amores eternos e perfeitos ainda existem. São raros, mas às vezes, encontramos casais que comemoram bodas de prata, ouro e até diamante. Não comece a calcular sua idade para ver se é possível você comemorar tudo isso se casar amanhã e nem se desespere se você está na lista daquelas que vive atrás de um príncipe encantado que chegue num cavalo branco, porém, sem o maldito advérbio. Hoje em dia, a missa é rara, e o discurso inverteu para: “até que a vida os separe!”, afinal, penso que é a vida que queremos ou que levamos que está separando as pessoas e não a morte.

Um comentário:

  1. Adorei o texto, "mas" será que essa palavra não esconde o verdadeiro motivo ... penso que sim.
    Não queremos imãos ao nosso lado e sim paixão. Quando a palavra "Te amo" parece sem sentido, ai o "mas" já é mais forte.

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