"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Férias gozadas

Descansar, viajar, ver amigos e parentes distantes. Assistir sessão da tarde, ler histórias em quadrinhos, namorar, paquerar, festejar, pegar praia, curtir a serra e conhecer lugares diferentes. Não ter hora para acordar, organizar-se para o próximo período, ouvir histórias e simplesmente ficar à toa. Esquecer que existe chefe e, para quem não quer se desligar do mundo, reservar um tempinho para ler. Gozar férias é mais ou menos isso. 
No regresso: abraços, lembrancinhas, fotos, filmes, novidades, histórias e indisposição. Afinal, mesmo quem fica dentro de casa nunca se sente preparado para voltar. Quanto mais tempo descansamos, mais queremos descansar. Com todo mundo é assim.
Férias de inverno de 2006. Nada de muito incomum. Um pouco mais exausta que das outras vezes. Também, dezoito noites mal dormidas, e dias muito proveitosos. Na volta quando resolvi fazer um breve resumo, digamos: diário de bordo. Acabou tudo em sexo, sexo e mais sexo. 

Primeiros dias tranqüilos. Dormir à tarde, tomar chimarrão, jogar conversa fora e assistir novela. De vale a pena ver de novo até a orgia das oito. Não deveria causar tanto espanto. Mas, a polêmica foi lançada. Ana Paula Arósio e Edson Celulari em cenas provocantes em Páginas da Vida, da rede globo. Como se não bastasse, a novela encerra diariamente com um depoimento de pessoas, digamos “comuns”.
Foi quando uma senhora feliz da vida falou algo do tipo: Gozei pela primeira vez sozinha, ouvindo uma música de Roberto Carlos... naquele dia, descobri que não precisava mais de homem. Lá no sul, as pessoas têm costume de “gozar”, rir da cara dos outros. As crianças ficaram pensando: e, ela gozou da cara de quem? 
Será que a Globo não passou dos limites? Fiquei me perguntando. E no outro dia era o assunto na casa de quem quer que fosse e, lógico, até capa de jornal.
Também estava estampado na Zero Hora, o caso Suzana Von Richthofen. Aquela jovem que foi condenada pela morte de seus pais. Mas o que me chamou atenção não foi o crime, isso já é notícia antiga, o que estava em questão desta vez era: “Será que Suzana ainda era virgem quando conheceu Cravinhos?”. Palhaçada!
Isso muda algo na sua vida? Na minha, muito menos. Mas, estava no jornal. Como se a população fosse tirar algum proveito disso. E Suzana foi assunto para muitas mateadas.
Basta! Vou ler um livro, será mais interessante que ligar esta televisão ou comprar o jornal. “Por que você mente e eu acredito?”, ganhei do meu irmão nessas férias. Mas, me pediram emprestado. Tudo bem, manda outro na troca. “O que toda mulher inteligente precisa saber”, interessante, mas é claro que não podia deixar de tocar no assunto predileto da população brasileira: sexo!
Vamos nos desligar do mundo. Subir a serra, tomar chocolate quente e curtir o frio. Sem rádio? Não. É horário do almoço, liga ai num desses programas de bate-papo. Algumas piadas engraçadas, outras não muito e, é claro, a hora da fofoca. “Sandy informa que seu casamento está próximo”, diz o locutor. O gauchinho Lucas da família Lima está feliz da vida, vai tirar a virgindade da filha de Xororó.
Que absurdo! Virou discussão na rádio. Será que a menina ainda é moça? 
Tenha santa paciência! Acho que estamos nos preocupando muito com o rabo dos outros enquanto devíamos prestar atenção em nossos narizes, de nossos filhos e irmãos.
Vamos deixar essas férias pra lá. Não vou escrever mais nada porque o assunto tá gozado demais. 
De volta para realidade, já em Vitória, vou ler o jornal “A Tribuna”. Não acredito! Olha a matéria que encontro: Pesquisas comprovam que os brasileiros são os mais liberais quando o assunto é sexo. 
E precisava de pesquisa para comprovar isso?

Nenhum comentário:

Postar um comentário