"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Esquecemos no berço



Sinaleiras entupidas de meninos pedindo esmola. Pequenos vendedores de jujuba e amendoim. Esquinas infestadas de crianças vendendo seus corpos, quando deveriam estar nas escolas. Jovens vendendo drogas, roubando, matando e se aperfeiçoando na escola do crime, quando deveriam estar em outras escolas. Filas extensas de desempregados sem qualificação atrás de uma vaga no disputadíssimo mercado de trabalho. Informalidade, calçadas abarrotadas de trabalhadores ilegais, porque não tiveram escolas.

Bibliotecas falidas, greves, alunos sem professores, sem mesas, cadeiras, uniforme, merenda, etc. Assim são muitas escolas. Essas são algumas das mazelas que nos entristecem diariamente. “Pura falta de educação, tudo culpa do governo”, esse é nosso discurso.

Que vício maldito que nós temos de lamentar, culpar, jogar a responsabilidade e esperar tudo do governo. Esquecemos da nossa parcela de culpa. E, quando falo em culpa não estou me referindo apenas nas nossas apostas políticas, nos maus políticos que elegemos para administrar nosso dinheiro e, que sempre alegam falta de verba. Falo de algo muito mais simples, que vem de berço, que custa tão pouco. Falo de algo que não é específico de pessoas pobres, não acontece apenas nas favelas. Algo que é bem comum em lugares por onde transitam pessoas, acredite: Pessoas que têm muito dinheiro.

Educação não é apenas sinônimo de ensino, conhecimento, instrução, sabedoria e boas escolas. Não são apenas os mapas geográficos, equações de matemática, conjugações de verbos ou leis de física e química. Ainda que saiba da importância disso para o desenvolvimento intelectual não é dessa educação que falo. Falo agora de outro sinônimo, o da civilidade, e este não é um problema do governo e muito menos de falta de verba.

Tive certeza disso ao ser abordada por uma senhora no elevador. Ela afirmou: “Moça você não é daqui!”. Estranho, o que a fez chegar a está conclusão? Meus traços quase que orientais, na verdade indefinidos, que não evidenciam de onde venho? Eu nem pronunciei o ”tu”, “bah”, “tchê”. Não estou trajada de prenda, nem carrego a bandeira do meu estado na testa. Mas, eu não sou daqui ela acertou em cheio.
 Desculpou-se pela abordagem, e disse que, em três anos que reside nesta cidade pode contar às vezes que alguém cumprimentou ao entrar num elevador. Penso que este não é um problema local, talvez aqui as pessoas não sejam tão rígidas como lá, de onde viemos, e por isso se cobrem menos essas cortesias. Às vezes eu também esqueço disso. Mas tenho que confessar que já ouvi dizer que isso é uma característica marcante do povo brasileiro, a falta de educação. No exterior um brasileiro é reconhecido facilmente. Basta ver quem furou a fila.
Coisas simples, regras básicas que aprendemos no berço, mas que não damos a merecida importância. Foi por pronunciar uma palavrinha mágica: “Bom dia” e quase escassa em nosso vocabulário, assim como: Oi, com licença e, por favor, que surpreendeu aquela senhora no elevador.  
Será culpa dos políticos, ou de nossos pais, da falta de tempo, ou será simplesmente da nossa falta de prática? 
A verdade é que estamos sempre procurando o culpado, quando deveríamos nos envergonhar e praticar mais esse tipo de educação. Para isso não precisamos de boas escolas, apenas boa vontade. Chegou à hora de admitirmos nossa deficiência e resgatarmos alguns valores já esquecidos. Chegou à hora de mostrarmos que podemos até ser subdesenvolvidos, porém não precisamos ser mal educados.  
Acho que é isso que estão tentando resgatar com as placas que tem surpreendido os capixabas e deixando Vitória ainda mais bela. São dizeres como: amor, paz, respeito, afeto, etc. Estão tentando resgatar valores que para muitos são considerados ultrapassados. Penso que está na hora de rever a essências dessas palavrinhas, e ver se não esquecemos a nossa educação no berço.

Um comentário:

  1. Engraçado ja notei isso tbem , o povo brasileiro é sem educação , costumo entrar no elevador e dar Boa tarde , sinto que as pessoas não estão acostumadas , com um Bom dia e um Boa tarde , é uma pena isso , mas nós podemos fazer a nossa parte , e criar filhos que tenham educação , já que ela vem de casa , adorei seu blog . um abraço e uma otima terça . :)

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