"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Depende de nós

Em ano eleitoral é comum as pessoas afirmarem o quanto não gostam de política. Não perdem tempo com horário eleitoral. Que votar em branco é a melhor forma de anular-se e, confesso que comigo não foi muito diferente.

Diante da seguinte pergunta de um candidato “Viu minha campanha? Preciso de sua opinião”. Rapidamente respondi: Não, esse programa já perdeu a graça.
Sempre achei o horário eleitoral um dos maiores programas de comédia da televisão brasileira. Lembro-me que “Meu nome é Enéas”, em apenas trinta segundos, me roubava boas gargalhadas. Isso, até eu me dar por conta de que eles estavam brincando com a fé do povo. Neste instante, perdeu a graça. Passei a ignorar, ficar alheia a qualquer tipo de propaganda eleitoral, sem sequer ter me aprofundado, ter tido curiosidade pela política, como muitos, passei afirmar: Não gosto de política.

Este é um assunto bastante polêmico, ainda mais nos últimos anos, em que a política é confundida com as ações dos maus políticos. Hoje, entendo por política a arte de gerir o Estado, seguindo leis, princípios e valores, coisa pública, uma idéia ligada à liberdade. O que para os gregos era a própria razão de viver, para nós brasileiros entupidos de desconfianças tem sido a razão do término de nossa fé.

A esperança do povo está quase à zero. Não acreditamos mais naquilo que não vimos, não acreditamos nas promessas. A nossa fé foi diminuindo junto com as nossas apostas. Não ficamos mais em cima do muro, sem saber a direção que devemos seguir, pouco importa se direita ou esquerda, o rumo do país tem sido sempre o mesmo, o centro, o fundo do poço.

Estamos céticos. Milagres, desenvolvimento, salvação, virada, candidatos dispostos a fazer cirurgia plástica no corpo social do país não nos convencem mais com seus espetáculos recheados de blábláblá, não nos vendemos mais por uma cesta básica.

Chega de pacotes de trigo, de feijão e vale gás. Não queremos o básico, isso é o mínimo que devemos ter, afinal, não são poucos os impostos que pagamos. Isso não pode ser promessa, é obrigação. Queremos assistência contínua. Queremos um Estado que cumpra seus deveres. Mas, não estamos nos preocupando em cumprir o nosso.

Quando nos isolamos da política, nossa ignorância permite que aqueles que gostam da vida política ditem o rumo de nossas vidas e encham suas cuecas com o nosso dinheiro. Culpa nossa. Da nossa falta de coragem, inteligência e participação.

Não podemos permitir que a cultura da corrupção seja imposta no ensino fundamental de nossas crianças, assim como o português e a matemática, uma matéria obrigatória. Não podemos perder o que resta de nossa esperança, de ver uma população saudável, alimentada, segura, honesta, educada e o escambau.
Não podemos agir politicamente como a melhor seleção do mundo, que têm os melhores jogadores, mas andando feito caranguejos e de fora das principais decisões.

Vamos acreditar que uma hora alguém esteja seriamente comprometido com o futuro de nosso país e não com o próprio bolso. Antes que acabe o que resta de nossa esperança, vamos nos conscientizar de que estamos no mesmo barco e para que ele não afunde temos que remar na mesma direção.

Vamos participar e apostar mais uma vez antes que acabem com a nossa dignidade e continuem com esta politicagem. E como diria Elisa Lucinda: “Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!”.

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