"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Cheiros, temperos e desejos

Os cheiros assim como os temperos aguçam nossos desejos. E tem cada vontade insana que eles podem nos despertar. Nossos organismos reagem de formas distintas ao sentirmos aroma, odor, fragrância... Há organismos que diante de certos cheiros reagem como se estivessem sendo invadidos por um inimigo letal. Quem assistiu o Globo Repórter, da TV Globo, transmitido no último dia 21, vai entender perfeitamente o que estou falando.

Neste programa foi transmitido o caso de uma pessoa alérgica que quase sofreu uma parada cardíaca, devido o cheiro do ovo. Por vinte e cinco anos, ela fugiu de qualquer contato com esse fruto das galinhas. Estranho não é? Parece exagero, mas, é real! No domingo, não é diferente comigo. A sensação que eu tenho quando sinto o cheiro da moqueca capixaba, é muito forte. Meu corpo rejeita. Náusea! Será que devo morrer ou fugir deste lugar?

Confesso admirar a culinária do Espírito Santo, os frutos do mar e tortas, não posso negar, decoram as mesas de uma forma impecável. Mas, o cheiro do coentro, este tem que ter espírito capixaba para conseguir degustar e, eu, como gaúcha que sou, prefiro distância a ter que provar.

Então, toda semana me desperta uma saudade. É o desejo do cheiro e do gosto do prato preferido dos brasileiros... Ah o churrasco! Que desejo excêntrico que ele me dá! E todo domingo a cena se repete. Confusão de sentimentos, afinal, é nesse dia que as pessoas se reúnem e capricham no menu e, no meu “infinito particular” fico a recordar às sensações que os cheiros podem nos causar.

Sugiro uma pausa para imaginar: o cheiro da chuva quando lava a terra, do pão caseiro assando, do vinho, da primavera (flores), do banho, de uma criatura cheirosa... É uma viagem maravilhosa, alguns aromas nos fazem lembrar pessoas, lugares, situações, sensações, outros têm o dom de hipnotizar, deixam e trazem saudade.

Mas, penso eu, cada cheiro deveria ter o seu lugar. Desta forma os alérgicos teriam menos problema, o sofrimento no domingo seria menor. O coentro, assim como o fígado e a tal dobradinha não devem sair da cozinha. Concordam? E o cheiro que cerca a Leitão da Silva em Vitória e também nos espera ao descer a terceira ponte sentido Vila Velha. Esses, em lugar algum deviam estar. Vamos mais longe. Alguém gosta de cheiro de sexo? Sério! Esse é bom, mas só na cama e, às vezes serve para recordar. Convenhamos, esse tal olfato é um instrumento sensacional. Assombro-me! Vamos parar de imaginar, porque a imaginação do ser humano é fértil, e, perigo, aonde ela pode nos levar.

Boa imaginação!

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