"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Se meu mundo caiu

As palavras injustiça e impunidade zuniram em minha cabeça nos últimos dias, mais do que as balas podem zunir. Tudo começou com o artigo quinto da Constituição Federal do Brasil sendo desrespeitado, só mais uma vez. Com o perdão da palavra, vomitaram em nossos ouvidos que o magistrado “Frederico Pimentel” não poderia ter o mesmo tratamento de um jornalista, e aquilo ficou a me perturbar. Afinal: “Se todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, o que faz ou fez para que seja considerado diferente?!

De tanto me questionar, cheguei à conclusão que, no Brasil esquecer a existência da constituição é uma prática normal, e não são poucas as aberrações que vimos diariamente que ignoram a redação desta “cartilha”, e eu, particularmente, falo por experiência própria, não sei por que ela ainda não foi descartada. Sabe por que digo isso?

Vamos ao assunto ainda mais chato e trágico. Não estamos preparados para que fatalidades, doenças e tristezas batam em nossas portas. Esperamos que elas só visitem nossos vizinhos, mas uma hora isso pode acontecer. Comigo não seria diferente. Tocaram a campainha lá de casa, bateram na porta e na verdade até já derrubaram. E nessas visitas, desse inoportuno desconhecido, a impunidade ficou a ecoar em minha vida e ficou para sempre. Foram situações distintas, mas em ambas, de perda e, sem por que.

Crueldade! Roubaram da minha vida pessoas queridas, sem explicação. E, sabe quem pagou por isso? As pessoas que queriam o bem, os amigos, família... Quem fez a maldade, mal se sabe, e quando se sabe, que diferença faz? Aqui é a lei da injustiça que comanda, quem teve a porta quebrada que vai preso, enjaulado, foge, muda de estado, de família, amigos, faz cirurgia plástica nos sentimentos, mergulha nos remédios controlados, tem o “psi” como melhor aliado. Aos culpados, cabe a vida que eles desejam ter e desfrutá-la, a quem perde cabe o resto dos dias para recordar.

O tempo se encarrega de amenizar a dor, mas esquecer, jamais! Pesadelos, lembranças em jornais, casos semelhantes, ou até distintos, porém injustos, a visita de outro desconhecido em minha porta e de repente, faz com que tudo seja relembrado, sentido. Meu corpo dói, só em ouvir a palavra impunidade, minha alma grita quando ouço a sigla CTI e se desespera, e ainda que já tenha enfrentado este doloroso estágio algumas vezes na vida, nunca vou estar preparada para ocupar novamente este lugar.

Hoje sei que estava enganada, quando um dia pensei: estou vestida com as “roupas e as armas de Jorge” e mais, se meu mundo caiu como Maysa, eu que aprenda a levantar. Pensei que de forma egoísta eu conseguiria sozinha suportar, embora não sem dor, que seria simples, bastaria fugir ou tomar um remédio tarja preta e logo iria passar. Quanta ingenuidade! Quando o estranho bate novamente em minha porta, o desespero não me permite ensaiar ou planejar como enfrentar.

Neste feriado conheci uma forma diferente, acredito que mais simples e mais certeira para encarar as tempestades e injustiças. Conheci o grupo dos que acreditam, dos otimistas, dos que compartilham com amigos, dos que confessam precisar do outro. E aprendi mais, isso não é motivo para vergonha. Afinal, não vou ganhar nada sendo super-herói, não preciso sorrir o tempo todo, também não preciso mergulhar nos remédios e tão pouco fugir.

Enfrentar a realidade com a certeza de que nunca estarei só é a forma menos dolorosa para seguir em frente e se for preciso, recomeçar. Por isso, fica aqui o pedido dessa humilde amiga. Ainda que eu esteja triste, não me deixem só, não hesitem em me convidar para a mesa de bar e podem ligar às quatro horas e quarenta minutos da manhã, eu prefiro assim, um sorriso sem graça a sozinha estar.

Um comentário:

  1. Leonardo Tatagiba14 junho, 2010

    Sabe de uma coisa... as vezes queremos ajudar alguém porém a impunidade esta tão sem vergonha, que temos medo de ajudar esse alguem, mas graças a Deus temos nossos amigos para nos confortar.

    Bjos

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