"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mais do mesmo





Tenho farejado com dedicação nos últimos dias, um assunto para compartilhar. Não diferente dos demais, procuro algo que faça você, sagaz leitor, se imaginar, se inserir no contexto, ficar instigado, indignado, emocionado, suspender a respiração... Um tema Inusitado, diferente, novo, fresquinho, quente, original? Isso é impossível, e eu explico.

Mesmo diante de tanta coisa acontecendo no mundo, escrever algo interessante, novo, não é nada fácil. Portanto, acaba sempre no “mais do mesmo”. Meu trabalho de conclusão de curso tem este título “Um Museu de Grandes Novidades”, sabe por quê? Por mais que recebamos diariamente uma avalanche de novas informações, acontecimentos inusitados, surpreendentes e até assustadores, do tipo: terremotos, vazamento de petróleo, queda de aviões, de torres, homens bomba, violência nas estradas, casa e separa de famosos, eleições, maletas, cuecas e meias cheias de dinheiro, tendências da moda, cantores que só tem uma música e viram ídolos da noite para o dia, celebridades que morrem de overdose, copa o mundo de quatro em quatro anos...

Tudo se repete, a gente vira a página, esperamos encontrar uma cena nova, mas não, mudam apenas os personagens e a data do fato. É simplesmente o velho, trazendo o novo. Então, porque não falar do assunto do momento.

Que tal uma análise e comparação das palavras que todo dia estão estampadas no jornal. Capa e contracapa, matérias de destaque, sempre! Craque ou Crack?! Vocês querem temas mais discutidos e consumidos que esses dois?

Pensamos juntos. Essas duas palavras homônimas homófonas, de mesma pronúncia, porém escrita e sentidos diferentes, carregam entre elas uma triste coincidência. A fabricação em escala industrial, seja de craques de futebol ou de usuários de crack.

Um dia ensinaram a criança pobre a sonhar acordada. Bastava cheirar uma garrafa de plástico de onde saída um cheiro forte e enjoativo. Desde então, a criança pobre sonha acordada e quando dorme, tem pesadelos."

Diante disso, proponho: Vamos todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a população!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O guardanapo & Ricardo

Há algum tempo atrás, quando frequentava o Bar Abertura, na Rua da Lama em Vitória, época de estudante, lembro que a troca de recadinhos, cantadas, piadas em guardanapos, era o que animava a noite, lógico, além da companhia dos amigos. Os garçons se divertiam no leva e traz, acho que isso dava até mais gosto para trabalharem alí, sempre muito animados e receptivos. Através deles certamente surgiam algumas paqueras, amizades, histórias... com os remetentes, com os próprios intermediários, os cupidos, enfim, surgiam coisas novas, lembranças e boas risadas.
Há muito tempo, pelo menos desde o ano de 2007 eu não via uma cena dessas, até a noite passada. Diferente do que recebia ou via antigamente, neste guardanapo não tinha telefone, nome, muito menos um convite para sair. Oooo recadinho estranho esse!
Qual seria sua reação diante disso? No mínimo estranha, não é?! Confesso, nunca esperei, imaginei! Estava lá, numa mesa próxima, um desconhecido, até aquele momento, um leitor que passou pelo ETC & TAL e se identificou com: "Cheiros, Temperos e Desejos" e mais, não esqueceu do "maldito" coentro. Sofrimento compartilhado, não é mesmo Ricardo?

Os anos passam, a gente envelhece e ainda continuamos conhecendo gente que vale a pena, através de um pedaço de papel, numa mesa de bar. Prazer em conhecê-lo! Será sempre bem vindo aqui. =)

Pra ocê mineiro, deixo esti conto de Lobo Santo, lí hoje e lembrei docê, do sutaque diferenti que se apresentou onti: 

" Beozonte, 29 di malso de 2005.
Quirido Inzé,
Xeguei bão. O pessoá daqui num é cumo di aí. As muié daqui num sum como di aí. Tô com baita sodade de Juaninha. Cunhici a fessora na iscola, Ela mi leva pra sua caza. Dipois....espaiá afrição. Nuortudia mi insina Potugueiz. Beto"





quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ganhando um por fora

Respeitável público, ETC e Tal orgulhosamente apresenta: O retorno da Química do Riso e seu mais novo espetáculo "Ganhando um por Fora".

De volta em cartaz no Teatro Universitário (UFES) a Química do Riso com espetáculo inédito promete nos roubar muitas gargalhadas, e eu garanto! Composto pelos professores José Henrique Botti, Márico Bastos (Cabeça), Douglas Dutra Monteiro e pelo mais novo integrante, aluno de Comunicação Victor Boechat, o grupo capixaba, possui veia cômica, inicialmente expressada em sala de aula, contagiando os alunos com a maneira descontraída de ensinar, somada à carência de espetáculos humorísticos na Grande Vitória, a Química do Riso surgiu, se apresentou e conquistou o público capixaba com o talento dos professores-artistas agora não mais somente em sala, e sim, no palco. E, para nos contar de forma diferenciada cenas cotidianas que se modificam a cada apresentação, incluindo sempre novos textos, novas sacadas e um pouquinho de sacanagem, o show entra em ação pelo terceiro ano, no dia 26 às 19 e 21 horas e, no dia 27 às 18 horas. Saiba mais através: www.aquimicadoriso.com.br


Não precisa entender a tabela de elementos químicos, conjugar verbos ou saber usar a crase para entrar nessa sala. Venha preparado para ouvir muitas boas histórias, venha disposto a conferir a vida como ela é!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu, a Viola e Deus


23h42min, quarta-feira, acabo de regressar do show Tributo a Pena Branca & Xavantinho, “Eu a Viola & Deus”, promovido pelo programa Raízes Sertanejas, da Universitária FM 104.7. A convite de Fernando Palhares meu colega de profissão e apresentador do raízes, foi MARAVILHOSO! Teatro lotado, o público cantava emocionado e, no palco, Pereira da Viola, Chico Lôbo, Yassir Chediak e Silvio Barbieri, quatro representantes da música Caipira e Caiçara. Inevitável não me transportar lá pras bandas do sul diante deste espetáculo. Quando ouço a viola, posso sentir meu pai próximo, é um de seus maiores prazeres, roda de amigos, viola e música caipira.  Imagino as belas prendas dançando, a terra vermelha , a churrasqueira fogo de chão e o chimarrão. 
Recordo-me da infância, meu avô Bastião, na cadeira de palha se aquecendo ao lado do fogão à lenha, abraçado ao radio à pilha ele acordava e dormia. Sempre, todo dia, a cena se repetia..."A tua saudade corta como aço de navalha,o coração fica aflito bate uma, a outra falha,os olhos se enchem d'água, que até a vista se atrapalha..."
 
Percorro os Pampas/RS, mas não só lá, quando menos espero chego no Alto Araguaia/MT, sem da cadeira levantar, é uma verdadeira viagem que a viola pode nos proporcionar... " Eu entrei no Mato Grosso bem em terras Paraguaias, la tinha revolução, enfrentei forte 'bataia'..."

Sinto nas veias o sangue farrapo, gaudério, ele corre, vibra. Sinto o cheiro de raízes no ar. Observo ao redor e admiro as pessoas gentis, educadas que frequentam esse tipo de evento, todas contagiadas pelas letras que tocam lá no fundo, do peito, da alma... Pessoas encantadas pelas músicas que tem sentido, início, meio e fim, raridades que ainda soam em nossos ouvidos pra quem se permite ouvir. Experimente!



terça-feira, 8 de junho de 2010

E assim surgiu Etc & Tal

Um baita UPA gaúcho a todos que me inspiram e incentivam a escrever... Boas vibrações pra vocês!

********************************* 
Tenho lido com muito interesse as crônicas da Luciana Barth que vc tem encaminhado. Tenho avidez por leitura e, pirincipalmente crônicas (sou adimirador do Rubem Braga). Pode continuar mandando e meus cumprimentos à Lu (viu a intimidade?) e que ela continue. Um beijo com muito carinho do Ademálio

Continuo gostando da Lu mesmo ela abominando o cheirinho do coentro...afinal ninguem é perfeito...Ademálio


*********************************

Prezada Luciana,

Obrigado pelo envio do texto, que acabo de ler.
Continue investindo na arte de escrever.
Assim que houver espaço para novas colaborações no Caderno 2 entrarei em contato.
José Roberto Santos Neves
Editor do Caderno Dois/A GAZETA
Vitória - Espírito Santo
*********************************

Ei Lú, tudo bem?!

Não me surpreendo nunca ao receber suas crônicas, mas certamente elas estão a cada dia melhores.
Gostei dessa também; sabia que iria reclamar do coentro, mas não imaginei que iria colocar o sexo no meio da história.... rsrsrrsr


Ilza Carla

*********************************

Magnífico!!! Pq ela não cria um blog ou publica esses textos? São perfeitos e tenho certeza de que pode salvar muitas almas e corações perdidos pelo mundo.
Aline Bragio
*********************************
Parabéns, estou muito orgulhoso de você. Na minha avaliação, você foi muito bem conceituada. Quanto ao fato de ter sido despida, em parte, é o preço que você terá de pagar se quiser continuar escrevendo. E acho que vai valer muito a pena!


Reginaldo (Belo)

*********************************

Luu, to virando sue fã...

Nossa, ainda bem que não alérgico a nada, ou melhor , se sou a alguma coisa ainda não descobrir... Mas Lu, então você não gosta de Peixe? Do cheiro do coentro? Que em minha opinião é o cheiro oficial de toda moqueca que se preze... Eu sou apaixonado por peixe, e de toda forma:, assado, frito ou em moqueca, se tivesse oportunidade certamente comeria mais vezes do que como... Mas também não sou de dispensar um bom churrasco, porém não gosto de comer churrasco como refeição principal, gosto apenas como acompanhante! Essas diferenças que provocam desejos entre as pessoas, é como dizem ‘ Se tudo fosse doce não existiria sal...
Ahh, o cheiro do sexo é realmente magnífico... rs




Elton Bisi

*********************************

Oi Luciana,

Para mim, o cheiro é muito importante na vida das pessoas.
Quando sinto o cheiro de Murta, também conhecida como Dama da Noite,me trasnporto ao minha infância, sentindo, as vezes até a temperatura daquela época. Almiscar, faz meu coração apertar, pois me lembro de uma antiga namorada que me fez muito feliz.
Que bom podermos sentir somente os cheiros bons, que nos traz boas lembranças.
Quanto ao coentro, te endendo perfeitamente. Isso aconceteu comigo. Minhas muquecas eram sem coentro, mas com salsa e cebolinha (à vontade).
Passado muito anos, estou mais receptivo a este tempero da cozinha capixaba.
Ou seja, o tempo é o senhor da verdade.
Bejão bemmmmmm grannndão pra voce.


Clério Junior

*********************************

Oi minha querida Lu Barth,

Texto lindo. Triste, real, mas lindo
Clério Júnior






*********************************

Pequena (grande) Barth:

Retransmito o e-mail que recebi, agora, da leitora Laura Diniz. Observe como ela tece comentários elogiosos a seu espeito...rsrrs... Espero que levante a sua "machucada" auto-estima. Beijos, Bruxa Velha


Boa tarde, Jeanne,


Vou tomar só um pouquinho do seu tempo, não se preocupe.

Realmente a mocinha escreve bem e você fez muito bem em encorajá-la, pois acredito que a maturidade trará a auto-confiança de que ela necessita, e, provavelmente, a temática de seus textos mudará por tabela. Ela identificou-se com o seu texto, justamente com o objeto da crítica, não é?



Laura

*********************************

Amiga.....

Você cada vez, escrevendo melhor....deve realmente investir nessa área!!! Fico orgulhosa ( e invejosa) cada vez que leio seus escritos......

Gabriela Mozeli

*********************************

É...Nada melhor que um cheirinho de sexo pela manha...rsrsrsrs
Lu ficou mto bom...mas esse texto me lembra de duas pessoas eu e Jamili, mas naum pelo cheiro de sexo e sim pelos problemas alergicos!!!uahuauahuah tenso...antigamnte eu era igual o cara do ovo...mas sabe forcei a barra! e hj em dia eu vou de encontro com as alergias, e algumas eu ja controlo!!



Léo Tatagiba

*********************************

Nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Vc é a versão feminina de Arnaldo Jabour!!!
Até imprimi aqui...lindo demais!!
Lídia Matos Athaydes

*********************************

Maravilha, Moça !!!!

Sempre coerente, criativa e crítica.
Espero que estejas bem, em paz e muito iluminada !!

Geraldo Mainardi

*********************************
Lu,

Olha a repercussão dos seus textos... eu concordo plenamente com ela e agorinha estava pensando: "pq a Lu ainda não tem uma página?" Coisas que ninguém explica.
E não preciso nem dizer que eu que tenho que te agradecer, do fundo do meu coração, pelo fim de semana, pela paciência.. pelo ombro. E saiba que me vi nos últimos parágrafos... dentro das pessoas que ainda acreditam que no fim tudo vai dar certo, que não sobreviveria sem meus amigos e que ainda posso dizer: "quem disse que amar e declarar esse amor ou qualquer outra forma de dependência é proibido ou vergonhoso?". Tudo tem solução... basta darmos oportunidades e vivermos.

Obrigada + uma vez e não a última.

Te adorooooo...


Andressa Borel

*********************************

Olááááá!!!! Tudo jóia e vc? Espero que esteja tudo bem tb...

Adorei seu textinho e saiba que enviarei para sua nova leitora... minha mãe!
Deu vontade de largar tudo e realmente desfrutar desses momentos tranqüilos, sem estresse das pessoas, pelo contrário muita calma e sem pressa para acabar um relatório, comida ou seu tricô...
Um grande beijo tb e se quiser pintar por aqui, fique a vontade...


Renato Salles
*********************************
Bucolismo, chuva noturna, novos espaços geográficos.

Buscava a felicidade. Luciana, entretanto, aproveitou do blues de uma noite chuvosa somada à recente experiência (etílica, eu vi fotos) em cidades desconhecidas, e deixou o bucolismo e o saudosismo possuírem seu teclado.
Queria ver se fosse à esta cidade constituir residência definitiva. Haja parapente!

Renzo


*********************************
Também estou lá:
http://birovirtual.wordpress.com/


*********************************
Nossa são maravilhosas essas crônicas...Não deixe de enviar para mim nãi, tá?!
Obrigada,
Regina de Jesus
*********************************
Nossa!!! Depois dessa nem tenho palavras;
Alzimeres

*********************************
Menina...
Mas que e-mail bom!!
Merece até um profile no orku!
Laila Melo

Se meu mundo caiu

As palavras injustiça e impunidade zuniram em minha cabeça nos últimos dias, mais do que as balas podem zunir. Tudo começou com o artigo quinto da Constituição Federal do Brasil sendo desrespeitado, só mais uma vez. Com o perdão da palavra, vomitaram em nossos ouvidos que o magistrado “Frederico Pimentel” não poderia ter o mesmo tratamento de um jornalista, e aquilo ficou a me perturbar. Afinal: “Se todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, o que faz ou fez para que seja considerado diferente?!

De tanto me questionar, cheguei à conclusão que, no Brasil esquecer a existência da constituição é uma prática normal, e não são poucas as aberrações que vimos diariamente que ignoram a redação desta “cartilha”, e eu, particularmente, falo por experiência própria, não sei por que ela ainda não foi descartada. Sabe por que digo isso?

Vamos ao assunto ainda mais chato e trágico. Não estamos preparados para que fatalidades, doenças e tristezas batam em nossas portas. Esperamos que elas só visitem nossos vizinhos, mas uma hora isso pode acontecer. Comigo não seria diferente. Tocaram a campainha lá de casa, bateram na porta e na verdade até já derrubaram. E nessas visitas, desse inoportuno desconhecido, a impunidade ficou a ecoar em minha vida e ficou para sempre. Foram situações distintas, mas em ambas, de perda e, sem por que.

Crueldade! Roubaram da minha vida pessoas queridas, sem explicação. E, sabe quem pagou por isso? As pessoas que queriam o bem, os amigos, família... Quem fez a maldade, mal se sabe, e quando se sabe, que diferença faz? Aqui é a lei da injustiça que comanda, quem teve a porta quebrada que vai preso, enjaulado, foge, muda de estado, de família, amigos, faz cirurgia plástica nos sentimentos, mergulha nos remédios controlados, tem o “psi” como melhor aliado. Aos culpados, cabe a vida que eles desejam ter e desfrutá-la, a quem perde cabe o resto dos dias para recordar.

O tempo se encarrega de amenizar a dor, mas esquecer, jamais! Pesadelos, lembranças em jornais, casos semelhantes, ou até distintos, porém injustos, a visita de outro desconhecido em minha porta e de repente, faz com que tudo seja relembrado, sentido. Meu corpo dói, só em ouvir a palavra impunidade, minha alma grita quando ouço a sigla CTI e se desespera, e ainda que já tenha enfrentado este doloroso estágio algumas vezes na vida, nunca vou estar preparada para ocupar novamente este lugar.

Hoje sei que estava enganada, quando um dia pensei: estou vestida com as “roupas e as armas de Jorge” e mais, se meu mundo caiu como Maysa, eu que aprenda a levantar. Pensei que de forma egoísta eu conseguiria sozinha suportar, embora não sem dor, que seria simples, bastaria fugir ou tomar um remédio tarja preta e logo iria passar. Quanta ingenuidade! Quando o estranho bate novamente em minha porta, o desespero não me permite ensaiar ou planejar como enfrentar.

Neste feriado conheci uma forma diferente, acredito que mais simples e mais certeira para encarar as tempestades e injustiças. Conheci o grupo dos que acreditam, dos otimistas, dos que compartilham com amigos, dos que confessam precisar do outro. E aprendi mais, isso não é motivo para vergonha. Afinal, não vou ganhar nada sendo super-herói, não preciso sorrir o tempo todo, também não preciso mergulhar nos remédios e tão pouco fugir.

Enfrentar a realidade com a certeza de que nunca estarei só é a forma menos dolorosa para seguir em frente e se for preciso, recomeçar. Por isso, fica aqui o pedido dessa humilde amiga. Ainda que eu esteja triste, não me deixem só, não hesitem em me convidar para a mesa de bar e podem ligar às quatro horas e quarenta minutos da manhã, eu prefiro assim, um sorriso sem graça a sozinha estar.

Mas


Nos últimos dias me vejo cercada de pessoas que acabaram de terminar um relacionamento, redundante, mas como posso falar se a verdade é que estão acabando, terminando, estão em processo?! Vai lá, me vejo cercada de pessoas em processo de desquite. Sim! É mesmo uma separação, ainda que eles não tenham ouvido toda aquela missa “até que a morte os separe”, a maioria dos namoros é quase um casamento, as pessoas dividem escova de dente, toalha e dormem juntos quase todos os dias. A quarta-feira deixou de ser um dia esperado pelos casais.

O que me desperta a atenção é que todas essas pessoas que estão nesse processo tecem inúmeros e invejáveis elogios aos ex, e que o motivo do término nunca é por falta de sentimento, e sim por conta do advérbio “mas”.

Quantas mulheres não gostariam de ter um homem que paga a conta e ainda permita que ela decida tudo, local, cardápio e até a roupa que ele vai vestir? Quantas não subiriam o Convento da Penha de joelhos para agradecer por ele não gostar de futebol, play station e carro? Quem não casaria com um homem que nunca irá troca-lá por amigos e uma mesa de bar? E quem não morreria de amores por alguém que se preocupa com o seu café da manhã, vai à padaria logo cedo e ainda faz suco de laranja. Mas... É ai que entra o advérbio. Mas, falta alguma coisa! Mas, ele deixa a tolha em cima da cama. Mas, ele ronca, mas ele não sabe discutir, eu brigo sozinha, mas ele tem um filho, mas a ex-mulher dele está viva...Incrível! Nunca estamos satisfeitas. Não é em vão que dizem que mulher não é um ser para ser entendido.

Muitas mulheres entram numa relação conhecendo a bagagem que o parceiro carrega como: ex-mulher, filhos, ex-galinha, ex-namoradas ameaçadoras e tantos outros ex. Outras fazem de conta que não enxergam a verdade que está na ponta do nariz. No fundo todas pensam da mesma forma, na hora abre-te-sésamo da paixão, elas tentam se convencer de que vão conseguir driblar qualquer obstáculo ou dificuldade, tudo é possível em nome do amor. Só que um dia a paixão acaba. E agora?!

Agora, contate todas as amigas que você se distanciou por que você preferia ficar vinte e quatro horas grudadas nele. Aceite todos os convites porque senão uma hora elas desistem. Freqüente as festas que você nunca se imaginou, mesmo que seja como penetra, eventos políticos, aniversário de criança. Esteja entre pessoas, seja vista, seja lembrada. Quebre paradigmas, preconceitos. Arrume alguém para te fazer companhia no domingo à tarde, ou esteja de ressaca para não curtir a depressão digna do finalzinho de semana. Faça qualquer coisa para não ter que se contentar com as imbecilidades da televisão desse dia, pois isso pode ser um convite para os remédios controlados. Beije na boca mesmo sem estar apaixonada e se você acordar do lado de alguém que conheceu na noite passada e nem lembra o nome, desencana! Tem gente que namora por nove anos e só depois que acaba descobre que não conhecia. Tenha um amigo médico, que te convença que você é hipertensa, assim sua consciência ficará tranqüila, você poderá fazer sexo, sem que seja com o namorado de anos, afinal como disse o Ministro da Saúde: Sexo faz bem para quem sofre de pressão alta. Siga o conselho de quem entende, mas lembre-se: com proteção!

Depois de algum tempo você encontrará alguém para dividir a pizza, assistir um filme, te buscar para almoçar no trabalho, trocar presente no dia dos namorados, mandar flores e dizer que te ama. Não vai demorar muito tempo e você perceberá que o tal advérbio, mesmo que precedido do “eu te amo”, sempre vai te acompanhar. Relacionamento é isso! Mudam as pessoas, mas as pessoas não mudam e nem os porquês que as acompanham.

Proponho uma inversão. Se imagine no lugar dessa criatura que divide a cama com você. Pense nas frases que passam pela cabeça dele sobre você. Não é muito difícil: Elas nunca estão satisfeitas!

Amores eternos e perfeitos ainda existem. São raros, mas às vezes, encontramos casais que comemoram bodas de prata, ouro e até diamante. Não comece a calcular sua idade para ver se é possível você comemorar tudo isso se casar amanhã e nem se desespere se você está na lista daquelas que vive atrás de um príncipe encantado que chegue num cavalo branco, porém, sem o maldito advérbio. Hoje em dia, a missa é rara, e o discurso inverteu para: “até que a vida os separe!”, afinal, penso que é a vida que queremos ou que levamos que está separando as pessoas e não a morte.

Cheiros, temperos e desejos

Os cheiros assim como os temperos aguçam nossos desejos. E tem cada vontade insana que eles podem nos despertar. Nossos organismos reagem de formas distintas ao sentirmos aroma, odor, fragrância... Há organismos que diante de certos cheiros reagem como se estivessem sendo invadidos por um inimigo letal. Quem assistiu o Globo Repórter, da TV Globo, transmitido no último dia 21, vai entender perfeitamente o que estou falando.

Neste programa foi transmitido o caso de uma pessoa alérgica que quase sofreu uma parada cardíaca, devido o cheiro do ovo. Por vinte e cinco anos, ela fugiu de qualquer contato com esse fruto das galinhas. Estranho não é? Parece exagero, mas, é real! No domingo, não é diferente comigo. A sensação que eu tenho quando sinto o cheiro da moqueca capixaba, é muito forte. Meu corpo rejeita. Náusea! Será que devo morrer ou fugir deste lugar?

Confesso admirar a culinária do Espírito Santo, os frutos do mar e tortas, não posso negar, decoram as mesas de uma forma impecável. Mas, o cheiro do coentro, este tem que ter espírito capixaba para conseguir degustar e, eu, como gaúcha que sou, prefiro distância a ter que provar.

Então, toda semana me desperta uma saudade. É o desejo do cheiro e do gosto do prato preferido dos brasileiros... Ah o churrasco! Que desejo excêntrico que ele me dá! E todo domingo a cena se repete. Confusão de sentimentos, afinal, é nesse dia que as pessoas se reúnem e capricham no menu e, no meu “infinito particular” fico a recordar às sensações que os cheiros podem nos causar.

Sugiro uma pausa para imaginar: o cheiro da chuva quando lava a terra, do pão caseiro assando, do vinho, da primavera (flores), do banho, de uma criatura cheirosa... É uma viagem maravilhosa, alguns aromas nos fazem lembrar pessoas, lugares, situações, sensações, outros têm o dom de hipnotizar, deixam e trazem saudade.

Mas, penso eu, cada cheiro deveria ter o seu lugar. Desta forma os alérgicos teriam menos problema, o sofrimento no domingo seria menor. O coentro, assim como o fígado e a tal dobradinha não devem sair da cozinha. Concordam? E o cheiro que cerca a Leitão da Silva em Vitória e também nos espera ao descer a terceira ponte sentido Vila Velha. Esses, em lugar algum deviam estar. Vamos mais longe. Alguém gosta de cheiro de sexo? Sério! Esse é bom, mas só na cama e, às vezes serve para recordar. Convenhamos, esse tal olfato é um instrumento sensacional. Assombro-me! Vamos parar de imaginar, porque a imaginação do ser humano é fértil, e, perigo, aonde ela pode nos levar.

Boa imaginação!

Simplicidade é a lembrança mais feliz


Quando as pessoas melhoram de vida, na maioria das vezes, idealizam mudar para cidade grande e comprar uma bonita casa, preferencialmente num bairro nobre. Mas, o que é essa casa bonita? São aquelas jaulas que a cada dia tornam-se mais escassas nas grandes cidades, perdendo espaço para os prédios que também nos oferecem esse sentimento de estarmos enjaulados. Jaula? Sim!  São casas cercadas por altos muros, cerca elétrica, pedaços de vidros, arames farpados e câmeras de segurança. Então, quando essas pessoas pensam em ter seus filhos logo imaginam, ali eles estarão seguros, terão uma infância saudável, com o conforto que os pais nunca tiveram, mas não lembram do principal: da qualidade de vida, da liberdade e do quintal.

Toda vez que volto a uma cidade interiorana me desperta o enorme desejo de por lá ficar. É um resgate às minhas raízes, e para quem sabe o que é pisar numa terra vermelha, no chão batido, soltar pipa, pular o muro fugindo de uma surra da mãe, colocar a bacia embaixo da goteira da sala quando chove, ter uma varanda para brincar de boneca, um porão para o pique - esconde e no fundo de casa aquele velho galinheiro e meia dúzia de galinhas, o forno de barro, uma pequena horta e a casa do cachorro. Quem já pode desfrutar de um pouco disso que estou escrevendo, certamente vai entender o que estou falando e o que estou sentindo.

Nenhuma casa grande, bonita e cheia de segurança é capaz de proporcionar a uma criança o deslumbramento que é ver um galo, logo cedo, subindo no muro para o despertar. Nenhum brinquedo eletrônico poderá reproduzir a sensação alucinante que é segurar na mão o ovo quentinho que a galinha acaba de pôr. É o mistério da vida ali, em um ovo, nas mãos. Nenhum computador é capaz de transmitir o gosto de fazer uma casa na árvore, galho por galho, o prazer de correr atrás do cão que foge na hora do banho. Isso para mim é qualidade de vida ou talvez seja a minha felicidade realista. Conhecer, sentir, viver o mais absoluto prazer da vida e da forma mais simples do que qualquer meio eletrônico ou livro poderá um dia arriscar-se tentar.  
 
Final de semana passado estive numa cidadezinha do interior do Espírito Santo, é a segunda viagem fascinante que tenho a oportunidade de fazer neste último mês. É a segunda vez que me vejo diante de uma casa com um quintal o que me faz comparar os lugares e os tempos. A casa é toda cercada, por árvores, a segurança existe, mas é feita pelo melhor amigo do homem, o cão, o latido avisa quando alguém está chegando. Em uma casa, especificamente, a segurança era feita por um gato, até que ele fosse envenenado. Crueldade! Galos também podem fazer a segurança, e tinha um, o vizinho da família Denadai, este é um baita galo dedicado. Além de avisar quando alguém entrava no seu território ele estava sempre preparado para despertar a vizinhança, a qualquer hora do dia. Se você acorda às cinco da manhã lá está o simpático galo a cantar, mas se por acaso você curtiu a festa na noite anterior e vai dormir até o meio dia, fique tranqüilo, nosso querido vizinho já sabe e, ele espera a hora, mas não falha. Ô galo animado! Tão animado como a vida no interior.

Comparando os tempos, lembrando e relembrando esses momentos, impossível não regressar lá na minha infância quando pude conhecer o gosto de verdade de viver tudo isso e mais um pouco. Assim eu percebi que essa simplicidade é a lembrança mais feliz, simples e barata da minha vida. Percebi que posso olhar o mundo com superioridade.  A superioridade de quem tem um tesouro guardado na memória, no peito, um tesouro que poucas pessoas sabem e que eu indico a todos os “enjaulados” dar-se à oportunidade de conhecer.

Objeto Sexual

Divergindo novamente opiniões, excitante! Irei continuar. E bem sei no que meu atrevimento, poderá resultar, mas “não tá morto quem peleia!”

Procurei sem encontrar uma definição que me convencesse, recorri ao Houaiss e nada respondia com veemência o significado do ser - “objeto sexual”. Então levantei uma nova discussão. Tema polêmico. Vale ser prolongado!

Bem sabemos que a beleza não está condicionada ao corpo, cabelo, roupas e acessórios que carregamos. Nós, mulheres, queremos ser belas por inteiro, corpo e alma. Não nos contentamos mais em apenas satisfazer o outro e sermos admiradas, queremos também SENTIR prazer e sermos DE-SE-JA-DAS!

Conveniência, filhos, dependência financeira, valores perdidos, burocracia e submissão, foram alguns dos motivos que prolongaram muitas relações há algum tempo atrás. Isso! Mesma época em que não havia tanta busca por perfeição, ou a exacerbada vaidade. Neste tempo, nossas mães mal sabiam o que era libido. Orgasmo? Era japonês em braile. Mas, eles - homens - sempre souberam traduzir ao pé da letra, porque elas proporcionavam. Assombro! Esses mesmos homens (generalizando), cobiçavam as poucas e atrevidas mulheres que exibiam curvas e feminilidade, tipo: Helô Pinheiro e Marta Rocha - objetos de desejo!

Sugiro reflexão à pergunta: Não seriam essas fêmeas, desprovidas de desejo e executoras da satisfação do homem o “objeto sexual”?

Asseguro que não! Eram muito mais. Objeto indispensável no lar. Boas mães, exemplares donas de casa, lavadeiras incomparáveis de colarinhos e, óbvio, politicamente corretas. Elas procuravam cumprir o pacto do matrimônio, que mesmo não registrado em contrato, executavam como uma cláusula expressa: servir!

O peso das tradições passadas intimidavam as mulheres, mas essa repressão já foi vencida, aleluia! E, hoje, conjeturo, não é privilégio apenas daquelas que recorrem aos benefícios estéticos, o sexo, não diferente de outros anseios conquistados por nós, finalmente pode ser gozado com igualdade. Assim, a satisfação pessoal e, em todos aspectos, para o descontentamento da sociedade conservadora, tornou-se condição da vida moderna feminina.

Formam-se verdadeiras e não efêmeras beldades: “Mulherão, aquele que mata um leão por dia”. Que além de levar os filhos à escola, elaborar o cardápio, cuidar das roupas, reuniões profissionais, etc. Fazem unhas toda semana, escova, vão à academia e desfrutam das mais diversas formas de vaidade. Sempre indispensáveis e interessantes. Produto de consumo? Jamais! A prioridade agora é a realização própria.

Percebo que esta tentativa de compreender o assunto envolve o verbo ser de forma instigante e, diante das possibilidades que ele ainda poderá se conjugar (futuro), promovo um basta a imagem estereotipada da mulher de verdade, este ser – agora no substantivo - difícil de ser decifrado, compreendido e quem irá se arriscar, definí-lo!

A Calça Jeans


Carnaval de 2010, fiquei de fora da festa pagã, quase cometi o autoflagelo. A televisão como melhor aliada, ou seria pior?! Confesso que para quem sempre participou da festa dos sem censura, das purpurinas e lantejoulas acreditei que seria depressivo acompanhá-la através da mídia, mas, sobrevivi a esta esperada tortura, sem fantasia e sem fazer uso dos controlados. Sem fantasia? Eis que me surge esta interrogação. Foi o que resultou ao ler “A Gazeta” nesta terça-feira de carnaval.

Todos os desfiles, trios e os vestígios deste feriado prolongado eram televisionados. Ali, no jornal impresso, eu não esperava encontrar bons negócios ou oportunidades. Observei que o nosso velho companheiro do café da manhã e privadas fica menos espesso neste período, afinal até quem não gosta da festa pagã, vai de carona na folga por ela proporcionada e, o que há de interessante fica para depois do carnaval, inclusive, aqui no Brasil, costumam dizer que o ano só se inicia após o término deste espetáculo.

Mas, a resposta estava lá, no Caderno Dois, na crônica de Jeanne Bilich – a “dissidente confessa do reinado de Momo”. Eu precisava saber o que minha audaz colega havia reservado para aquele dia e, lendo “De Máscaras e Fantasias”, descobri.

A máscara poderá cair, mas preciso desabafar. Descobri que há muito tempo eu vivo permanentemente fantasiada. Carrego as fantasias epidérmicas, piercing umbilical e os turbinados, mas não “ameaçadores” silicones. Aderi à tribo dos antes vistos como marginais, para me diferenciar nesse mundo em que todos (devem) se parecer. A tatuagem é como uma marca pessoal. Apliquei no umbigo, como diria minha avó - um lindo brinco -, para que pudesse ser ainda mais visível a boa forma que desfilava, ou pensava. Quanto aos mísseis turbinados, esses, quando descobri que a Amélia de Ataulfo e Mário Lago já tinha perdido espaço para as Sheilas e Feiticeiras aperfeiçoadas pelos discípulos de Ivo Pitanguy, não resisti.  Por que não aderir ao clube das mulheres de verdade, aquelas que têm vaidade?

Calma colega! Não irei me despir aqui! Mas refletindo sobre todos os acessórios dos quais sou adepta ou quem sabe um dia me inspire a ser, observei que: sejamos nós do clube dos ante ou pós-modernismo, vivemos diariamente fantasiados. Vou lhe citar um único exemplo: a calça jeans. Quer uma fantasia mais democrática? O que nos diferencia são os enredos que contamos. Uns para esconder outros para divulgar, mas quem não usa?  Vira e mexe eu me pego vestida tipo: embalada a vácuo. Sim! É o que proporciona a mistura jeans e strech. Atrás da ilusão de ótica que esta fantasia denominada jeans pode causar, escondemos nossas gordurinhas localizadas, celulites, pernas finas, a bunda avantajada, o corpo definido, coisas que: “É segredo, não conto a ninguém....” e, nem o ilusionismo de Unidos da Tijuca poderá mudar.

Agarro-me na certeza de que neste país carnavalesco em que vivemos não recebemos apenas o passaporte do “vale nigth”, aqui, vale tudo!


Em Resposta: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/03/613207-cronica.html
16/03/2010 - 00h00 - Atualizado em 16/03/2010 - 00h00

Crônica

A Gazeta

Jeanne Bilich
jbilich@uol.com.br

Ecos do carnaval

Já navegamos nas águas de março, mas ecos do carnaval ainda me chegam. Não o som dos atabaques e tamborins mas, sim, repercussões – é no plural, mesmo! – da crônica “De Máscaras e Fantasias”, publicada na terça-feira (16/02) de carnaval.

Da jovem Luciana Barth recebi, via-e-mail, a “crônica da crônica” que reproduzo pinçando parágrafos: “A máscara poderá cair, mas preciso desabafar. Descobri que há muito tempo eu vivo fantasiada. Carrego as fantasias epidérmicas, piercing umbilical e os turbinados, mas não “ameaçadores” silicones. Aderi à tribo dos antes vistos como marginais para me diferenciar nesse mundo em que todos (devem) se parecer. A tatuagem é como uma marca pessoal. Apliquei no umbigo, como diria minha avó – um lindo brinco – para que pudesse ser ainda mais visível a boa forma que desfilava, ou pensava. Quanto aos mísseis turbinados, esses, quando descobri que a Amélia de Ataulfo e Mário Lago já tinha perdido espaço para as Sheilas e Feiticeiras aperfeiçoadas pelos discípulos do Pitanguy, não resisti. Por que não aderir ao clube das mulheres de verdade, aquelas que têm vaidade?”

Parabéns pela bela crônica!.. E pela delicadeza: “Isso não é um protesto, é uma forma diferente de ver.” Aplausos. Após ler o texto, velha repórter que sou, empreendi pesquisa informal. Consultei, interroguei, telefonei e, claro, incomodei os jovens amigos. Sim, desfruto desse privilégio! Somam mais de dúzia, na faixa entre os 20 e 30 anos. O resultado? Bem, não obtive consenso! Fragmentação. Há os que têm tatuagens, “discretas”, apressaram-se em dizer; os que não têm e não pretendem tê-las; os que cogitam tê-las, mas debatem-se sobre o quê tatuar. Entre os que não têm, o medo do definitivo: “E se eu mudar de ideia, Jeanne?...” Já os que as têm, guardam convicção que as tatuagens – frases, nomes, símbolos míticos ou poéticos – expressam imutáveis valores e afetos.

Dialogando com os reflexivos botões, concluí: sendo a pós-modernidade fragmentada, célere, reino do efêmero, os jovens capturaram o espírito do tempo, filhos legítimos deste zeitgeist contemporâneo. E Baudrillard soprou-me ao ouvido: “Vivemos na cultura do excesso, do exagero. Busca-se uma identidade no vácuo da subjetividade”. Tatuar-se como marca pessoal – como crê a geração da Luciana – implica leitura subjacente do naufrágio da singularidade humana na sociedade de massa. Mais: sinaliza grave crise de identidade!

Cabe ao tatuador e ao cirurgião plástico o resgate da confortável sensação de “ser”. Existir como indivíduo. Doloroso, não sagaz leitor?! Pois, afianço-lhe, Luciana, que sua identidade funda-se na subjetividade expressa na crônica – aí, sua marca pessoal - e não nas tatuagens que lhe fantasiam a pele.

E a discordância final: “Por que não aderir ao clube das mulheres de verdade, aquelas que têm vaidade?”. Seu conceito sobre “mulheres de verdade” abalroa frontalmente com o meu!... Mulheres de verdade, na minha ótica, são aquelas detentoras de comportamentos, valores, caráter, garra e coragem, sendo a beleza física um acréscimo. Detalhe estético.

Jamais a razão determinante que as fez (ou faz) sócias do clube das mulheres de verdade!... Na minha geração, a busca exacerbada pela beleza significava ser objeto sexual e na sua – suponho – patricinha. Paris Hilton. Celebridades efêmeras!... Bem-vinda ao sólido clube dos cronistas que, aliás, o Espírito Santo é celeiro nato e pródigo!...

Depende de nós

Em ano eleitoral é comum as pessoas afirmarem o quanto não gostam de política. Não perdem tempo com horário eleitoral. Que votar em branco é a melhor forma de anular-se e, confesso que comigo não foi muito diferente.

Diante da seguinte pergunta de um candidato “Viu minha campanha? Preciso de sua opinião”. Rapidamente respondi: Não, esse programa já perdeu a graça.
Sempre achei o horário eleitoral um dos maiores programas de comédia da televisão brasileira. Lembro-me que “Meu nome é Enéas”, em apenas trinta segundos, me roubava boas gargalhadas. Isso, até eu me dar por conta de que eles estavam brincando com a fé do povo. Neste instante, perdeu a graça. Passei a ignorar, ficar alheia a qualquer tipo de propaganda eleitoral, sem sequer ter me aprofundado, ter tido curiosidade pela política, como muitos, passei afirmar: Não gosto de política.

Este é um assunto bastante polêmico, ainda mais nos últimos anos, em que a política é confundida com as ações dos maus políticos. Hoje, entendo por política a arte de gerir o Estado, seguindo leis, princípios e valores, coisa pública, uma idéia ligada à liberdade. O que para os gregos era a própria razão de viver, para nós brasileiros entupidos de desconfianças tem sido a razão do término de nossa fé.

A esperança do povo está quase à zero. Não acreditamos mais naquilo que não vimos, não acreditamos nas promessas. A nossa fé foi diminuindo junto com as nossas apostas. Não ficamos mais em cima do muro, sem saber a direção que devemos seguir, pouco importa se direita ou esquerda, o rumo do país tem sido sempre o mesmo, o centro, o fundo do poço.

Estamos céticos. Milagres, desenvolvimento, salvação, virada, candidatos dispostos a fazer cirurgia plástica no corpo social do país não nos convencem mais com seus espetáculos recheados de blábláblá, não nos vendemos mais por uma cesta básica.

Chega de pacotes de trigo, de feijão e vale gás. Não queremos o básico, isso é o mínimo que devemos ter, afinal, não são poucos os impostos que pagamos. Isso não pode ser promessa, é obrigação. Queremos assistência contínua. Queremos um Estado que cumpra seus deveres. Mas, não estamos nos preocupando em cumprir o nosso.

Quando nos isolamos da política, nossa ignorância permite que aqueles que gostam da vida política ditem o rumo de nossas vidas e encham suas cuecas com o nosso dinheiro. Culpa nossa. Da nossa falta de coragem, inteligência e participação.

Não podemos permitir que a cultura da corrupção seja imposta no ensino fundamental de nossas crianças, assim como o português e a matemática, uma matéria obrigatória. Não podemos perder o que resta de nossa esperança, de ver uma população saudável, alimentada, segura, honesta, educada e o escambau.
Não podemos agir politicamente como a melhor seleção do mundo, que têm os melhores jogadores, mas andando feito caranguejos e de fora das principais decisões.

Vamos acreditar que uma hora alguém esteja seriamente comprometido com o futuro de nosso país e não com o próprio bolso. Antes que acabe o que resta de nossa esperança, vamos nos conscientizar de que estamos no mesmo barco e para que ele não afunde temos que remar na mesma direção.

Vamos participar e apostar mais uma vez antes que acabem com a nossa dignidade e continuem com esta politicagem. E como diria Elisa Lucinda: “Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!”.

“Tempo, tempo, tempo mano velho...”

Algumas vezes maldito, outras, bendito. A desculpa, o culpado, o aliado; Ás vezes nos sufoca, ás vezes nos sobra, outra nos falta, eis o tempo, aquele que me parece andar acelerado.

Os homens e sua tamanha inteligência vivem criando, aperfeiçoando, inovando, acho que talvez até exagerando. Ora mediram o tempo pela sombra, outra pela água, areia, bússolas, calendários... Seja para organizar ou para atrapalhar a inquietude e o atrevimento desses homens a cada dia cria novas formas de controlar essa interrogação chamada tempo.
Afinal quem és tu ó tempo? 

Eclesiastes 3 diz: Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Difícil é entender as escrituras bíblicas, é preciso ler e reler e quem sabe assim compreender, até lá vamos julgando o tal tempo como melhor quisermos, assim como fizemos com tudo aquilo que desconhecemos, enquanto útil seja bem vindo, se sem proveito, até logo. 

Quando não conseguimos cumprir determinada tarefa, quando perdemos a hora, não executamos algo a culpa é toda dele, eis um grande aliado, nossa desculpa é: “maldito o tempo que anda acelerado”, que não permite saborear a vida como deveria ser, com calma, com graça, saborear os temperos, os cheiros, as pessoas, os lugares, saborear como um guri que ganha um pirulito e passa um bom tempo a se deliciar, saborear os cantos e encantos, “Por que tanta pressa senhor tempo? Porque andas tão acelerado?” nosso conforto é: “ainda bem que há você ó tempo, como meu aliado”.

“Bendito seja o senhor tempo”, aquele que nos permite usá-lo como desculpa, e que lentamente nos concede momentos. Momentos de espera pela páscoa, pelo natal, pelos presentes, por alguém que vai chegar, pelos momentos de euforia, de tristeza, de crescimento, envelhecimento, bendito o tempo, aquele que nos permite dormir, sonhar e acordar até os cabelos brancos chegar.

Muitas pessoas querem poder acelerar e chegar aos dezoito, outras gostariam de retardar quando chegar aos quarenta, há aqueles que sabem olhar para trás e agradecer pelos oitenta. “Obrigada ó tempo por me permitires ir tão longe”.

A verdade é que nosso tempo somos nós que fazemos independente dos ponteiros, ele varia de acordo com nossas escolhas, nossas prioridades, nossas necessidades, coitado do tempo, que vive sendo citado.
Particularmente, hoje, se eu pudesse faria com que ele andasse arrastado, tantos planos a serem concretizados e eu ando me atropelando nos próprios passos, mal tenho tempo de olhar os ponteiros.
Ainda que sirvas de guia ou de desculpas para meus enganos, sinto o tempo como um parente muito próximo, aquele que ora me faz bem, ora devia ser menos intruso. Se eu pudesse, a se eu pudesse, faria com que tu querido tempo parasses um só momento, quem sabe assim eu pudesse entender o que anda de errado.

Esquecemos no berço



Sinaleiras entupidas de meninos pedindo esmola. Pequenos vendedores de jujuba e amendoim. Esquinas infestadas de crianças vendendo seus corpos, quando deveriam estar nas escolas. Jovens vendendo drogas, roubando, matando e se aperfeiçoando na escola do crime, quando deveriam estar em outras escolas. Filas extensas de desempregados sem qualificação atrás de uma vaga no disputadíssimo mercado de trabalho. Informalidade, calçadas abarrotadas de trabalhadores ilegais, porque não tiveram escolas.

Bibliotecas falidas, greves, alunos sem professores, sem mesas, cadeiras, uniforme, merenda, etc. Assim são muitas escolas. Essas são algumas das mazelas que nos entristecem diariamente. “Pura falta de educação, tudo culpa do governo”, esse é nosso discurso.

Que vício maldito que nós temos de lamentar, culpar, jogar a responsabilidade e esperar tudo do governo. Esquecemos da nossa parcela de culpa. E, quando falo em culpa não estou me referindo apenas nas nossas apostas políticas, nos maus políticos que elegemos para administrar nosso dinheiro e, que sempre alegam falta de verba. Falo de algo muito mais simples, que vem de berço, que custa tão pouco. Falo de algo que não é específico de pessoas pobres, não acontece apenas nas favelas. Algo que é bem comum em lugares por onde transitam pessoas, acredite: Pessoas que têm muito dinheiro.

Educação não é apenas sinônimo de ensino, conhecimento, instrução, sabedoria e boas escolas. Não são apenas os mapas geográficos, equações de matemática, conjugações de verbos ou leis de física e química. Ainda que saiba da importância disso para o desenvolvimento intelectual não é dessa educação que falo. Falo agora de outro sinônimo, o da civilidade, e este não é um problema do governo e muito menos de falta de verba.

Tive certeza disso ao ser abordada por uma senhora no elevador. Ela afirmou: “Moça você não é daqui!”. Estranho, o que a fez chegar a está conclusão? Meus traços quase que orientais, na verdade indefinidos, que não evidenciam de onde venho? Eu nem pronunciei o ”tu”, “bah”, “tchê”. Não estou trajada de prenda, nem carrego a bandeira do meu estado na testa. Mas, eu não sou daqui ela acertou em cheio.
 Desculpou-se pela abordagem, e disse que, em três anos que reside nesta cidade pode contar às vezes que alguém cumprimentou ao entrar num elevador. Penso que este não é um problema local, talvez aqui as pessoas não sejam tão rígidas como lá, de onde viemos, e por isso se cobrem menos essas cortesias. Às vezes eu também esqueço disso. Mas tenho que confessar que já ouvi dizer que isso é uma característica marcante do povo brasileiro, a falta de educação. No exterior um brasileiro é reconhecido facilmente. Basta ver quem furou a fila.
Coisas simples, regras básicas que aprendemos no berço, mas que não damos a merecida importância. Foi por pronunciar uma palavrinha mágica: “Bom dia” e quase escassa em nosso vocabulário, assim como: Oi, com licença e, por favor, que surpreendeu aquela senhora no elevador.  
Será culpa dos políticos, ou de nossos pais, da falta de tempo, ou será simplesmente da nossa falta de prática? 
A verdade é que estamos sempre procurando o culpado, quando deveríamos nos envergonhar e praticar mais esse tipo de educação. Para isso não precisamos de boas escolas, apenas boa vontade. Chegou à hora de admitirmos nossa deficiência e resgatarmos alguns valores já esquecidos. Chegou à hora de mostrarmos que podemos até ser subdesenvolvidos, porém não precisamos ser mal educados.  
Acho que é isso que estão tentando resgatar com as placas que tem surpreendido os capixabas e deixando Vitória ainda mais bela. São dizeres como: amor, paz, respeito, afeto, etc. Estão tentando resgatar valores que para muitos são considerados ultrapassados. Penso que está na hora de rever a essências dessas palavrinhas, e ver se não esquecemos a nossa educação no berço.