"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"



Prazer, Lu.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"(Docemente Pornográficos)"

Em face dos últimos acontecimentos, senti necessidade de penetrar melhor o assunto. Ontem apresentei em sala de aula uma resenha crítica sobre literatura erótica, abordando a coletânea de contos “Bom-Tom”, livro de produção capixaba - Pedro Antônio Freire e Raoni Huapaya. O assunto aguçou desejos, estava estampado na cara dos colegas o clímax pela literatura explorada, que por eles, até aquele momento, pouco ou quem sabe nada experimentada, não desta forma, materializada por palavras. Entre a troca de experiências percebi que não foi possível esgotar a discussão acerca da diferença entre o erótico e o pornográfico, e a dúvida continuou a pulsar, tive certeza ao verificar meu correio eletrônico hoje, o erotismo se faz latente. Entre as mensagens recebidas estava o link que uma colega transmitiu para toda a turma ter acesso ao livro comentado. Êxtase? Satisfação? Que nada! O nome do que senti foi - prazer, isso mesmo! Afinal, vi que de certa forma instiguei eles a conhecer o gosto deste gênero literário, revelado assim, na ponta dos dedos.



Ratificando o que disse ontem, trata de um assunto que todos nós seres humanos conhecemos e em algum momento de nossas vidas temos contato, uns revelam mais afinidade, se tornam íntimos, outros, nem tanto. O sexo, o erótico e o pornográfico existem desde que homem é homem. Verdade! No século VII a.C a poetisa grega Safo já exercitava o erotismo. E não venham me dizer que isso foi na Grécia, que trata de um estilo marginal, sujo ou de mau gosto. Temos diversos autores conhecidíssimos nossos. E, eu não me atrevo a usar a língua para discordar ou questionar obras de Gregório de Matos, Manuel Bandeira “Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma./.../ As almas são incomunicáveis./Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo./Porque os corpos se entendem, mas as almas não” e tão pouco Drummond que tinha por hábito apimentar seus poemas com desejos, explícitos ou não “...o bonde passa cheio de pernas/ pernas brancas pretas amarelas/ Para que tanta perna, meu Deus...”


Ainda assim, a censura se faz presente. Hipocrisia, medo, ignorância e falso moralismo justificam em parte essa recriminação, mas não se esgota por ai. Estudiosos explicam que a presença do obsceno tanto no erótico quanto no pornô causam esse conflito, a dificuldade de distinção e até o pré-conceito, fazendo com que muitas pessoas pensem que esses assuntos devem ser ocultos, ou concebidos somente quando as luzes se apagam.


Escrevi uma página tentando entender essa desordem, quando de repente, como uma “rapinha”, ouvindo hoje o programa Bandejão da Rádio Universitária – 104.7 FM, apresentado por Rodolpho Paixão, a relação torna-se ainda mais conflitante. Abusando da compreensão dos ouvintes– “eu puxo o seu cabelo/ faço o que você gosta/ dou tapa na bundinha vou de frente, vou de costas”, inicia o programa. Questiono: Se literatura erótica dedica-se ao prazer, estudando o corpo, expressões, sentimentos e tem por objetivo despertar o desejo, enquanto o pornográfico é o sexo explícito, o que seria isso que meu colega colocou pra tocar? “Estética Radical”, respondeu. É indiscutível a vulgarização da mulher e a banalização do sexo na atualidade, mas parafraseando Drummond – “Oh! Sejamos pornográficos (docemente pornográficos)”, porque da forma apresentada no programa, o assunto se torna indigesto. Concorda Paixão?!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Justamente por ser diferente!

10 de novembro de 2010


Ontem me dei por conta de como é excitante a sala de espera de um consultório médico, não falo da especialidade, afinal, algumas podem oferecer ambientes sugestivos, tão pouco, por ter alguma tara por médicos. Acontece que entre “Cláudias, Novas, Criativas” e tantas outras revistas ali dispostas, percebi que a grande maioria é direcionada para o universo feminino e que por sinal, abusam do assunto sexo. Compartilham experiências, dão dicas e tratam de curiosidades que todas nós temos. Mas, especialmente ontem o assunto que chamou atenção me instigando, transcende o desejo. Com o título “Nem toda mudança é para o bem” o consultor de carreira, que falava sobre experiência profissional, iniciou seu texto com um conto que foi inevitável não associa-lo a nós mulheres e a atual forma com que as pessoas encaram os relacionamentos.

Dizia ele que, o famoso guru indiano Osho certa vez contou que todo ano ocorria em sua cidade natal um concurso para premiar o dono da rosa mais linda. Praça sempre lotada e flores vibrantes, mas sempre, um militar aposentado que levava o prêmio. Seguido por Osho certo dia, após a festa, o velinho desvendou o segredo da rosa sempre tão bela. Como é possível perguntou o guru? Simples. Os outros deixam todos os botões crescerem e depois colhem o mais bonito. Eu faço o contrário. Escolho o mais bonito e corto todos os outros. Desta forma a seiva que alimenta a planta não precisa se dividir, vai toda para uma única rosa.

O autor usou este exemplo para relacionar aos cuidados que devemos ter com nossa trajetória profissional como se fosse uma rosa promissora. Virando a página, o assunto era a proximidade do verão. Corpos dourados, malhados e suados, ardentes e despidos, agora a leitura começa a esquentar tal qual a estação. Fala de relacionamos, envolvimentos efêmeros, na verdade sem comprometimento. Neste momento me recordei de meu amigo Ricardo Kahey, falando excitado: “Vem chegando o verão”, como um detento que se vê próximo da liberdade. Estranho! Ele não usa algemas, nem coleira, nem aliança ou qualquer coisa do gênero. Fico confusa, por que deseja com tanta empolgação a estação da diversão, dos sem compromissos, do vale tudo e do vale nigth?

Não precisei pensar muito para entender. Ricardo não está sozinho, ele e mais uma porção de gente, não conhece o segredo da rosa. Vejam, não é diferente entre nós, em nossos relacionamentos. Se elegermos um único alguém para cuidar e nos dedicar, é possível construir um caminho rumo ao topo, uma vida feliz, para tanto, exige-se comprometimento.

Agora sim, Ricardo está sozinho. Ele ainda não encontrou alguém que mereça meticuloso cuidado. Isso não me espanta, afinal vivemos na era em que conta-se em mesa de bar as bocas que se beijaram na noite anterior. Há quem julgue isso como moderno, outros como falta de coragem. Afinal é preciso ter coragem para comprometer-se.

Como uma pessoa tão moderna e diferente em pleno século XXI, quando ninguém é de ninguém e trocar de parceiro é estar na moda consegue estar casada há tanto tempo? Perguntaram à cantora Rita Lee certo dia: “Justamente por ser diferente!” respondeu.

Concluindo querido amigo, seja diferente você também, arrisque-se, pode ser mais excitante que ficar à espera do ciclo das estações.

sábado, 6 de novembro de 2010

Louca de Sede e de Fome

Eu tenho sede de tudo aquilo que já provei e gostei. Tenho sede de tudo aquilo que ainda não alcancei. Eu também tenho fome. Tenho fome de saber mais, de conhecer mais, de viver mais. Tenho fome de tudo aquilo que ainda não devorei.


A sede e a fome que sinto, às vezes me consomem, sou fraca, meus desejos gritam, e como tambores posso ouvir batucar insistentemente em minha mente. Nesses dias de fome e sede insaciáveis, eu percebo que tenho mais, mais do que sempre demonstrei ter, mais do que imaginei ser.


Eu tenho sede de ser mais feliz, de fazer mais feliz, de ter mais coragem, de ter menos medos, e menos segredos.


Eu tenho fome de ser menos exigente, menos complicada, dar mais risadas e me acabar em gargalhadas.


Eu tenho sede de sentir mais amor, receber mais calor, tenho sede de carinho, honestidade, simplicidade, tolerância e generosidade.

Eu tenho fome de escrever mais, estudar mais, sonhar, trabalhar, namorar, dormir e acordar sempre com vontade de fazer tudo isso mais. Eu tenho fome de todos os verbos terminados em “ar”.

Eu tenho sede de amigos, dos distantes, dos próximos, dos velhos, dos novos, dos poucos, mas dos verdadeiros. Tenho sede de sempre estar mais com eles e de saber, compartilhar, participar da vida deles. Tenho fome de que eles sejam pra sempre!

Eu tenho sede de família, da que tenho e da que ainda vou ter. Tenho sede do meu avô Bastião, da minha cachorra Agatha e do papagaio Tião que nunca tive, mas que um dia irei conhecer.

Eu tenho fome de comemorações, de vitórias, de aniversários, de fevereiros, de carnavais e tantos outros “ais”.


Eu tenho sede de quem entrou na minha vida, participou,  marcou, abandonou, sumiu, deixou...


Eu tenho fome de quem está na minha vida, que faz dela mais bela e vivida e eu sei... vai partir.

Eu tenho sede de fé, de estar sempre de pé, de seguir sempre em frente e de viver o presente.


Talvez você já soubesse, mas eu acabo de descobrir: Eu sou louca!

Eu sou louca de sede e de fome de que os tempos sejam sempre modernos e que as pessoas sejam melhores como na música do Lulu: "gente fina, elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não".


Eu sou louca de sede e de fome, por tudo aquilo que Deus me deu, e acredite, eu prefiro confiar no amor dele, porque o que eu já tenho, dinheiro nenhum poderia me dar. Enfim, parece patético, mas precisei de tudo isso para dizer que eu tenho... Eu tenho sentimentos! E não é só isso, eu também sei chorar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Olá queridos, eu sei que estou devendo novidades. Minha vida está muito corrida, voltei a estudar e ando me atropelando nos próprios passos, logo, logo, prometo um textinho bacana e no mínimo sacana. (rsrs)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Já fez sua escolha?

O texto que segue é uma transcrição de uma coluna do Max Gehringer, da rádio CBN. Peço licença para reproduzi-lo na íntegra, porque ele merece ser lido/ouvido/repetido/compreendido e diria até que experimentado.



Por isso, risco e rabisco essas bem traçadas linhas aqui:


Abre Aspas…


Prezado Max, meu nome é Sérgio. Tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada. Quando eu era jovem as pessoas me diziam pra eu escutar os mais velhos que eram mais sábios agora eles dizem pra eu escutar os mais jovens porque eles são são mais inteligentes.


Na semana passada li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisas. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.


Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. E descobri pra minha surpresa que hoje poderia estar milionário. Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei, e principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.


Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 1 milhão de reais na conta bancária. É claro que eu não tenho esse dinheiro! Mas, se tivesse, sabe o que esse dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade.


Por isso, acho que me sinto feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma monte de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.


Fecha Aspas…

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Listen

Feliz Primavera
Por que vieste a minha janela meter o nariz?
Se fosse para partir quando bem quis.
Foi muito cedo, esse não era o meu tempo.
Espera aí, afinal, quem pensa que és tu ó vento?
A cortina se abriu, senti frio.
Veja a porta, o que aconteceu? Quem esta aí?
Não tem graça. Você veio jogar conversa fora, perder o seu tempo e roubar o meu.
Já sei, foi ele quem te mandou.
Ele é frio, escuro, mete medo, ainda bem que acabou.
Mas por que te enviaste cheio de graça e de cor ?
Ingenuidade a minha. Foi frio na barriga e só agora percebi.
Veja só, a porta quase caiu e eu nem queria abrir.
Impotência, não tem como negar.
Sentimento é algo que não pode se programar.
Não faça isso comigo. Não feche os olhos quando abrir o largo sorriso.
Conte-me uma prosa sem graça e vá dormir na praça.
Vai, some-te daqui, eu estava tão feliz!
Eu sei, a estação passa as flores murcham.
Cuidado, você ainda vai encontrar muita coisa sem graça no mundo.
Mas relaxa, suas asas ainda vão bater muito
assim como o vento voltará a soprar em minha janela
Felicidades! Todo ano tem primavera.

A Estação



De comum a primavera nem tão linda nem tão bela

É o perfume do seu mais belo sorriso vestindo seu rosto mimando o mundo

De comum a primavera nem tão linda nem tão bela

É o plagiar do sol e o ciúme da lua de quando passas na rua tornando o vento errante

De comum a primavera, és tú, tão linda e tão bela

Que converte as quatro-estações em ti, tão inspirada e tão vivente

trazendo ao mundo o verdadeiro sentido da primavera, que é tão linda e tão bela só quando tu estás presente.



Raphael Souza de Souza

...raros são os dias em que ganho presentes, raros são os presentes elaborados com tanto bom gosto, obrigada Rafa.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Saudades da Gema

“Como será o amanhã? Responda quem puder...” Quem nunca desejou saber o que será do futuro? Quando o assunto é amor, traduzindo: homens, nós mulheres somos mestres em procurar a resposta, e se possível fosse até mudaríamos o destino.




Quem nunca procurou uma cigana, bruxa, vidente, cartomante ou algo do gênero? Eu tive a minha, muito cedo. A simpática Gema, vizinha de um condomínio que morei algum tempo em Porto Alegre. Para ler a sorte tinha todo um ritual. Roupa branca, incenso, vela, o baralho seboso e o olhar firme da cigana em minha direção enquanto embaralhava as cartas. Corte o baralho – dizia ela. Detalhe: com a mão esquerda. “Vejo um homem em sua vida”. Sempre começa assim. “Vocês brigaram?” Elementar, as mulheres sempre procuram esse tipo de alternativa quando alguma coisa não vai bem. Continuando: “Existe uma pessoa entre vocês...” Loira ou morena? ”Pode ser uma criança”. Nada é exato, mas as damas podem responder, vai depender se der dama de ouro ou paus, se não for nenhuma delas, sorria, a sorte está com você!


Depois de muito suspense ela embaralhava mais uma vez as cartas. “Corte, a felicidade está em suas mãos”. E finaliza: Sim, ele vai ser seu! Uffa! Mas no fundo, eu já sabia. Sempre dava certo no final. A gente procurava as tais leitoras da sorte porque nunca ouviu ninguém contar que foi diferente, elas nos deixavam com esperança, então a certeza das cartas, afinal, elas não mentem, permitia que a vida seguisse o fluxo normal. “Deixa a vida me levar, vida leva eu”. Era muito mais emocionante e romântico.


Hoje, quando sentimos a angústia do esperar acontecer. Quando as perguntas do tipo: Será que o telefone vai tocar? Será hoje ou amanhã? Será que ele tem alguém? Será ele, será? Vamos ao psicanalista. Depois de uma série de perguntas sobre o nosso passado ele vai nos justificar o presente e até ditar o futuro e, para aliviar a ansiedade no lugar das simpatias, lembra? Banho de rosas, um fio de cabelo dele guardado na gaveta das calcinhas e por ai vai, a gente fazia de conta que acreditava e para muitas, coincidentemente, funcionava. Hoje, nos receitam um comprimidinho para controlar a ansiedade e conseguir esperar pacientemente ele nos procurar e caso isso não ocorra, serve também para amenizar a tristeza. Vê se pode, até parece que não gostamos de expectativas, o incerto faz parte do início de um relacionamento. Mas não para por ai, quando as coisas não acontecem como esperamos, voltamos ao especialista, queremos uma explicação, e eles têm. Nossos traumas de infância sempre explicam tudo. Antes, preferíamos acreditar que erramos na simpatia, faltou o Santo Antonio de cabeça para baixo atrás do guarda-roupa.


O mundo mudou, e muito. Ontem desfolhando o bem-me-quer, confesso, senti saudades da Gema.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sim, eu sou!

Nós seres humanos somos bons propagadores de fórmulas para manusear os sentimentos, principalmente dos outros. Algumas pessoas, no entanto, quando expressam o que pensam, fazem isso baseado em alguma dor sofrida, em uma situação semelhante já vivida, o que chamamos de experiência própria. Há quem faça por proteção e lógico, não podemos esquecer, tem gente que sabe tudo, parece até carregar um manual de instruções da vida.


Por isso, saber ouvir, assim como saber filtrar os palpites, opiniões, críticas e experiências não é uma tarefa fácil, sábio é quem sabe fazê-lo. Aprender com os erros dos outros, acredito ser menos doloroso. Eu admito, vivo tentando.

Certa vez eu precisei perdoar, sem dúvida não foi a única em minha vida, mas desta vez a ferida foi grande e, todo mundo parecia conhecer a cura, menos eu, que até hoje não descobri. Então eu ouvi muitas receitas, do tipo: “perdoar é esquecer!” Logo pensei, nunca conhecerei o perdão. Vou ter que passar uma borracha em parte da minha história? E como farei a conexão com o presente e futuro? Impossível!

De repente apareceu alguém e disse que não era tão difícil perdoar, era só ”lembrar sem mágoas”. Naquele momento fiquei mais aliviada, mas admito, sim, eu sou covarde! Fui embora. Afinal, fingir que nada aconteceu e viver naturalmente, também não foi possível, sou humana.


Com ou sem mágoas, hoje, eu tenho lembranças. Lembrança das pessoas que conheci que me fizeram sentir: desejo, felicidade, dor, tristeza e saudade. Lembrança do que vivi e me fez crescer, aprender e conhecer a vida de verdade.

Sei que sentir mágoa não faz bem a alma e tão pouco à saúde, magoar também não. Sei que minha atitude não é a mais correta de todas, mas pela dor que senti não tinha como ser diferente, fazer de conta que foi um pesadelo eu jamais conseguiria, eu sempre estive de olhos bem abertos.


Andei pensando e repensando sobre o assunto. Se com o tempo a dor diminuiu, se a mágoa passou, se aprendi a conviver com ela ou se eu gosto mesmo de sofrer, cheguei à conclusão alguma, e talvez nunca chegue. E também não quero descobrir fórmulas certas ou me convencer daquilo que julgam a melhor saída. Me dou o direito de levar a situação no meu tempo, do meu jeito, mesmo que meu tempo seja longo pra quem vê. E, que fique claro, esquecer eu realmente não consigo, se eu me permitir isso, talvez, tenha que esquecer você!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Rodas da Vida


Adoro essa foto. Para quem não reconheceu o largo sorriso, sou eu sim, sobre rodas. Estava observando, relembrando e analisando a foto e a vida, percebi que passamos boa parte da vida apoiado em rodas.
Quando criança a motoca tinha três rodinhas, assim não corria o risco da filha do seu Rocha cair e se machucar. O pai protegia a cria. Não demorou muito tempo ele começou a ensinar que na vida a gente também cai, mas que é essencial aprender a levantar.
Foi com quatro ou cinco anos que ganhei a minha primeira bicicleta, uma Caloi. Inicialmente ela tinha duas rodinhas de apoio lateral, logo mais, meu pai resolveu me libertar, mas sempre com muito cuidado. Meu velho seguia empurrando até certa altura da rua e conversando. Assim eu tinha a certeza de que não corria riscos, ele estava ali, segurando, me acompanhando. Mas no fundo, a intenção dele era outra, me encorajar, me preparar. Os pais sempre sabem o que estão fazendo.
De repente eu percebia o silêncio, neste momento ele já estava distante, eu já tinha dado algumas voltas sem cair, eu tinha conseguido andar sozinha, sem rodinhas e sem o apoio dele. Era um sentimento breve, mas eu podia degustar a liberdade e a vitória por alguns instantes, até quando o medo tomava conta de mim, era só eu pensar nele, e um monte de areia me esperava depois do tombo. Ao levantar a cara era sempre a mesma e a frase também: Não doeu! Lógico, eu queria continuar a sentir aquele êxtase.
Continuamos diariamente o exercício da libertação. Não foram poucos os tombos, mas com o passar dos anos, sem rodinhas e até sem segurar o volante eu já andava, a partir daí, se eu caísse a minha frase era: Todo mundo cai um dia, levanta e continua, Luciana!
Percebo que até hoje é assim. Estamos sempre com uma base protetora, um suporte contínuo, em diversos sentidos da vida, assim como eram as rodinhas no passado. Quando conquistamos um emprego nos apoiamos em nosso currículo, que aos poucos vamos substituindo pelo novo conhecimento adquirido, mas a experiência anterior é o que nos impulsiona a arrancada. Quando se diz “sim” a um pedido de casamento as rodas podem ser as mais diversas possíveis: o sentimento que move a relação, o contrato, às alianças, os interesses... E se ficamos doentes ou enfrentamos algum problema? O carinho de mãe, os amigos, o médico e o remédio, não são poucos nossos recursos de apoio. Os livros, contos, filmes que assistimos e histórias que contamos, observem que somos amparados em verdades e ficções.


Algumas rodas estarão sempre presentes em nossas vidas. Tratando das rodas de segurança, da estabilidade da bicicleta, essa nós sabemos que lá por volta dos 06 anos já conseguimos nos libertar. E tratando da vida? Quando será a hora de largar da saia da mãe e soltar a mão do pai? Isso não significa dispensar o amor e a proximidade deles. Estamos falando de independência, estamos falando de dispensar aquilo que mesmo por amor e proteção, nos impede de sentir o gostinho da realidade, impossibilita descobrir a nossa capacidade, afinal, enquanto estivermos apoiados não iremos testá-la.
Penso que não devemos esperar que nos empurrem por muito tempo. É importante sentir emoção, correr riscos, medos, desafios, quedas e vitórias. Afinal, uma hora mesmo que você não queira, terá de enfrentar. Quando a vida lhe tirar suas rodas, talvez nesse momento, sua queda seja maior, por nunca ter tentado.
Permita-se cair. Pratique as frases: Não doeu! Todo mundo cai um dia, levanta e continua! Crie a sua frase e, se surpreenda ao descobrir o quanto você pode.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mais do mesmo





Tenho farejado com dedicação nos últimos dias, um assunto para compartilhar. Não diferente dos demais, procuro algo que faça você, sagaz leitor, se imaginar, se inserir no contexto, ficar instigado, indignado, emocionado, suspender a respiração... Um tema Inusitado, diferente, novo, fresquinho, quente, original? Isso é impossível, e eu explico.

Mesmo diante de tanta coisa acontecendo no mundo, escrever algo interessante, novo, não é nada fácil. Portanto, acaba sempre no “mais do mesmo”. Meu trabalho de conclusão de curso tem este título “Um Museu de Grandes Novidades”, sabe por quê? Por mais que recebamos diariamente uma avalanche de novas informações, acontecimentos inusitados, surpreendentes e até assustadores, do tipo: terremotos, vazamento de petróleo, queda de aviões, de torres, homens bomba, violência nas estradas, casa e separa de famosos, eleições, maletas, cuecas e meias cheias de dinheiro, tendências da moda, cantores que só tem uma música e viram ídolos da noite para o dia, celebridades que morrem de overdose, copa o mundo de quatro em quatro anos...

Tudo se repete, a gente vira a página, esperamos encontrar uma cena nova, mas não, mudam apenas os personagens e a data do fato. É simplesmente o velho, trazendo o novo. Então, porque não falar do assunto do momento.

Que tal uma análise e comparação das palavras que todo dia estão estampadas no jornal. Capa e contracapa, matérias de destaque, sempre! Craque ou Crack?! Vocês querem temas mais discutidos e consumidos que esses dois?

Pensamos juntos. Essas duas palavras homônimas homófonas, de mesma pronúncia, porém escrita e sentidos diferentes, carregam entre elas uma triste coincidência. A fabricação em escala industrial, seja de craques de futebol ou de usuários de crack.

Um dia ensinaram a criança pobre a sonhar acordada. Bastava cheirar uma garrafa de plástico de onde saída um cheiro forte e enjoativo. Desde então, a criança pobre sonha acordada e quando dorme, tem pesadelos."

Diante disso, proponho: Vamos todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a população!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O guardanapo & Ricardo

Há algum tempo atrás, quando frequentava o Bar Abertura, na Rua da Lama em Vitória, época de estudante, lembro que a troca de recadinhos, cantadas, piadas em guardanapos, era o que animava a noite, lógico, além da companhia dos amigos. Os garçons se divertiam no leva e traz, acho que isso dava até mais gosto para trabalharem alí, sempre muito animados e receptivos. Através deles certamente surgiam algumas paqueras, amizades, histórias... com os remetentes, com os próprios intermediários, os cupidos, enfim, surgiam coisas novas, lembranças e boas risadas.
Há muito tempo, pelo menos desde o ano de 2007 eu não via uma cena dessas, até a noite passada. Diferente do que recebia ou via antigamente, neste guardanapo não tinha telefone, nome, muito menos um convite para sair. Oooo recadinho estranho esse!
Qual seria sua reação diante disso? No mínimo estranha, não é?! Confesso, nunca esperei, imaginei! Estava lá, numa mesa próxima, um desconhecido, até aquele momento, um leitor que passou pelo ETC & TAL e se identificou com: "Cheiros, Temperos e Desejos" e mais, não esqueceu do "maldito" coentro. Sofrimento compartilhado, não é mesmo Ricardo?

Os anos passam, a gente envelhece e ainda continuamos conhecendo gente que vale a pena, através de um pedaço de papel, numa mesa de bar. Prazer em conhecê-lo! Será sempre bem vindo aqui. =)

Pra ocê mineiro, deixo esti conto de Lobo Santo, lí hoje e lembrei docê, do sutaque diferenti que se apresentou onti: 

" Beozonte, 29 di malso de 2005.
Quirido Inzé,
Xeguei bão. O pessoá daqui num é cumo di aí. As muié daqui num sum como di aí. Tô com baita sodade de Juaninha. Cunhici a fessora na iscola, Ela mi leva pra sua caza. Dipois....espaiá afrição. Nuortudia mi insina Potugueiz. Beto"





quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ganhando um por fora

Respeitável público, ETC e Tal orgulhosamente apresenta: O retorno da Química do Riso e seu mais novo espetáculo "Ganhando um por Fora".

De volta em cartaz no Teatro Universitário (UFES) a Química do Riso com espetáculo inédito promete nos roubar muitas gargalhadas, e eu garanto! Composto pelos professores José Henrique Botti, Márico Bastos (Cabeça), Douglas Dutra Monteiro e pelo mais novo integrante, aluno de Comunicação Victor Boechat, o grupo capixaba, possui veia cômica, inicialmente expressada em sala de aula, contagiando os alunos com a maneira descontraída de ensinar, somada à carência de espetáculos humorísticos na Grande Vitória, a Química do Riso surgiu, se apresentou e conquistou o público capixaba com o talento dos professores-artistas agora não mais somente em sala, e sim, no palco. E, para nos contar de forma diferenciada cenas cotidianas que se modificam a cada apresentação, incluindo sempre novos textos, novas sacadas e um pouquinho de sacanagem, o show entra em ação pelo terceiro ano, no dia 26 às 19 e 21 horas e, no dia 27 às 18 horas. Saiba mais através: www.aquimicadoriso.com.br


Não precisa entender a tabela de elementos químicos, conjugar verbos ou saber usar a crase para entrar nessa sala. Venha preparado para ouvir muitas boas histórias, venha disposto a conferir a vida como ela é!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu, a Viola e Deus


23h42min, quarta-feira, acabo de regressar do show Tributo a Pena Branca & Xavantinho, “Eu a Viola & Deus”, promovido pelo programa Raízes Sertanejas, da Universitária FM 104.7. A convite de Fernando Palhares meu colega de profissão e apresentador do raízes, foi MARAVILHOSO! Teatro lotado, o público cantava emocionado e, no palco, Pereira da Viola, Chico Lôbo, Yassir Chediak e Silvio Barbieri, quatro representantes da música Caipira e Caiçara. Inevitável não me transportar lá pras bandas do sul diante deste espetáculo. Quando ouço a viola, posso sentir meu pai próximo, é um de seus maiores prazeres, roda de amigos, viola e música caipira.  Imagino as belas prendas dançando, a terra vermelha , a churrasqueira fogo de chão e o chimarrão. 
Recordo-me da infância, meu avô Bastião, na cadeira de palha se aquecendo ao lado do fogão à lenha, abraçado ao radio à pilha ele acordava e dormia. Sempre, todo dia, a cena se repetia..."A tua saudade corta como aço de navalha,o coração fica aflito bate uma, a outra falha,os olhos se enchem d'água, que até a vista se atrapalha..."
 
Percorro os Pampas/RS, mas não só lá, quando menos espero chego no Alto Araguaia/MT, sem da cadeira levantar, é uma verdadeira viagem que a viola pode nos proporcionar... " Eu entrei no Mato Grosso bem em terras Paraguaias, la tinha revolução, enfrentei forte 'bataia'..."

Sinto nas veias o sangue farrapo, gaudério, ele corre, vibra. Sinto o cheiro de raízes no ar. Observo ao redor e admiro as pessoas gentis, educadas que frequentam esse tipo de evento, todas contagiadas pelas letras que tocam lá no fundo, do peito, da alma... Pessoas encantadas pelas músicas que tem sentido, início, meio e fim, raridades que ainda soam em nossos ouvidos pra quem se permite ouvir. Experimente!



terça-feira, 8 de junho de 2010

E assim surgiu Etc & Tal

Um baita UPA gaúcho a todos que me inspiram e incentivam a escrever... Boas vibrações pra vocês!

********************************* 
Tenho lido com muito interesse as crônicas da Luciana Barth que vc tem encaminhado. Tenho avidez por leitura e, pirincipalmente crônicas (sou adimirador do Rubem Braga). Pode continuar mandando e meus cumprimentos à Lu (viu a intimidade?) e que ela continue. Um beijo com muito carinho do Ademálio

Continuo gostando da Lu mesmo ela abominando o cheirinho do coentro...afinal ninguem é perfeito...Ademálio


*********************************

Prezada Luciana,

Obrigado pelo envio do texto, que acabo de ler.
Continue investindo na arte de escrever.
Assim que houver espaço para novas colaborações no Caderno 2 entrarei em contato.
José Roberto Santos Neves
Editor do Caderno Dois/A GAZETA
Vitória - Espírito Santo
*********************************

Ei Lú, tudo bem?!

Não me surpreendo nunca ao receber suas crônicas, mas certamente elas estão a cada dia melhores.
Gostei dessa também; sabia que iria reclamar do coentro, mas não imaginei que iria colocar o sexo no meio da história.... rsrsrrsr


Ilza Carla

*********************************

Magnífico!!! Pq ela não cria um blog ou publica esses textos? São perfeitos e tenho certeza de que pode salvar muitas almas e corações perdidos pelo mundo.
Aline Bragio
*********************************
Parabéns, estou muito orgulhoso de você. Na minha avaliação, você foi muito bem conceituada. Quanto ao fato de ter sido despida, em parte, é o preço que você terá de pagar se quiser continuar escrevendo. E acho que vai valer muito a pena!


Reginaldo (Belo)

*********************************

Luu, to virando sue fã...

Nossa, ainda bem que não alérgico a nada, ou melhor , se sou a alguma coisa ainda não descobrir... Mas Lu, então você não gosta de Peixe? Do cheiro do coentro? Que em minha opinião é o cheiro oficial de toda moqueca que se preze... Eu sou apaixonado por peixe, e de toda forma:, assado, frito ou em moqueca, se tivesse oportunidade certamente comeria mais vezes do que como... Mas também não sou de dispensar um bom churrasco, porém não gosto de comer churrasco como refeição principal, gosto apenas como acompanhante! Essas diferenças que provocam desejos entre as pessoas, é como dizem ‘ Se tudo fosse doce não existiria sal...
Ahh, o cheiro do sexo é realmente magnífico... rs




Elton Bisi

*********************************

Oi Luciana,

Para mim, o cheiro é muito importante na vida das pessoas.
Quando sinto o cheiro de Murta, também conhecida como Dama da Noite,me trasnporto ao minha infância, sentindo, as vezes até a temperatura daquela época. Almiscar, faz meu coração apertar, pois me lembro de uma antiga namorada que me fez muito feliz.
Que bom podermos sentir somente os cheiros bons, que nos traz boas lembranças.
Quanto ao coentro, te endendo perfeitamente. Isso aconceteu comigo. Minhas muquecas eram sem coentro, mas com salsa e cebolinha (à vontade).
Passado muito anos, estou mais receptivo a este tempero da cozinha capixaba.
Ou seja, o tempo é o senhor da verdade.
Bejão bemmmmmm grannndão pra voce.


Clério Junior

*********************************

Oi minha querida Lu Barth,

Texto lindo. Triste, real, mas lindo
Clério Júnior






*********************************

Pequena (grande) Barth:

Retransmito o e-mail que recebi, agora, da leitora Laura Diniz. Observe como ela tece comentários elogiosos a seu espeito...rsrrs... Espero que levante a sua "machucada" auto-estima. Beijos, Bruxa Velha


Boa tarde, Jeanne,


Vou tomar só um pouquinho do seu tempo, não se preocupe.

Realmente a mocinha escreve bem e você fez muito bem em encorajá-la, pois acredito que a maturidade trará a auto-confiança de que ela necessita, e, provavelmente, a temática de seus textos mudará por tabela. Ela identificou-se com o seu texto, justamente com o objeto da crítica, não é?



Laura

*********************************

Amiga.....

Você cada vez, escrevendo melhor....deve realmente investir nessa área!!! Fico orgulhosa ( e invejosa) cada vez que leio seus escritos......

Gabriela Mozeli

*********************************

É...Nada melhor que um cheirinho de sexo pela manha...rsrsrsrs
Lu ficou mto bom...mas esse texto me lembra de duas pessoas eu e Jamili, mas naum pelo cheiro de sexo e sim pelos problemas alergicos!!!uahuauahuah tenso...antigamnte eu era igual o cara do ovo...mas sabe forcei a barra! e hj em dia eu vou de encontro com as alergias, e algumas eu ja controlo!!



Léo Tatagiba

*********************************

Nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Vc é a versão feminina de Arnaldo Jabour!!!
Até imprimi aqui...lindo demais!!
Lídia Matos Athaydes

*********************************

Maravilha, Moça !!!!

Sempre coerente, criativa e crítica.
Espero que estejas bem, em paz e muito iluminada !!

Geraldo Mainardi

*********************************
Lu,

Olha a repercussão dos seus textos... eu concordo plenamente com ela e agorinha estava pensando: "pq a Lu ainda não tem uma página?" Coisas que ninguém explica.
E não preciso nem dizer que eu que tenho que te agradecer, do fundo do meu coração, pelo fim de semana, pela paciência.. pelo ombro. E saiba que me vi nos últimos parágrafos... dentro das pessoas que ainda acreditam que no fim tudo vai dar certo, que não sobreviveria sem meus amigos e que ainda posso dizer: "quem disse que amar e declarar esse amor ou qualquer outra forma de dependência é proibido ou vergonhoso?". Tudo tem solução... basta darmos oportunidades e vivermos.

Obrigada + uma vez e não a última.

Te adorooooo...


Andressa Borel

*********************************

Olááááá!!!! Tudo jóia e vc? Espero que esteja tudo bem tb...

Adorei seu textinho e saiba que enviarei para sua nova leitora... minha mãe!
Deu vontade de largar tudo e realmente desfrutar desses momentos tranqüilos, sem estresse das pessoas, pelo contrário muita calma e sem pressa para acabar um relatório, comida ou seu tricô...
Um grande beijo tb e se quiser pintar por aqui, fique a vontade...


Renato Salles
*********************************
Bucolismo, chuva noturna, novos espaços geográficos.

Buscava a felicidade. Luciana, entretanto, aproveitou do blues de uma noite chuvosa somada à recente experiência (etílica, eu vi fotos) em cidades desconhecidas, e deixou o bucolismo e o saudosismo possuírem seu teclado.
Queria ver se fosse à esta cidade constituir residência definitiva. Haja parapente!

Renzo


*********************************
Também estou lá:
http://birovirtual.wordpress.com/


*********************************
Nossa são maravilhosas essas crônicas...Não deixe de enviar para mim nãi, tá?!
Obrigada,
Regina de Jesus
*********************************
Nossa!!! Depois dessa nem tenho palavras;
Alzimeres

*********************************
Menina...
Mas que e-mail bom!!
Merece até um profile no orku!
Laila Melo

Se meu mundo caiu

As palavras injustiça e impunidade zuniram em minha cabeça nos últimos dias, mais do que as balas podem zunir. Tudo começou com o artigo quinto da Constituição Federal do Brasil sendo desrespeitado, só mais uma vez. Com o perdão da palavra, vomitaram em nossos ouvidos que o magistrado “Frederico Pimentel” não poderia ter o mesmo tratamento de um jornalista, e aquilo ficou a me perturbar. Afinal: “Se todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, o que faz ou fez para que seja considerado diferente?!

De tanto me questionar, cheguei à conclusão que, no Brasil esquecer a existência da constituição é uma prática normal, e não são poucas as aberrações que vimos diariamente que ignoram a redação desta “cartilha”, e eu, particularmente, falo por experiência própria, não sei por que ela ainda não foi descartada. Sabe por que digo isso?

Vamos ao assunto ainda mais chato e trágico. Não estamos preparados para que fatalidades, doenças e tristezas batam em nossas portas. Esperamos que elas só visitem nossos vizinhos, mas uma hora isso pode acontecer. Comigo não seria diferente. Tocaram a campainha lá de casa, bateram na porta e na verdade até já derrubaram. E nessas visitas, desse inoportuno desconhecido, a impunidade ficou a ecoar em minha vida e ficou para sempre. Foram situações distintas, mas em ambas, de perda e, sem por que.

Crueldade! Roubaram da minha vida pessoas queridas, sem explicação. E, sabe quem pagou por isso? As pessoas que queriam o bem, os amigos, família... Quem fez a maldade, mal se sabe, e quando se sabe, que diferença faz? Aqui é a lei da injustiça que comanda, quem teve a porta quebrada que vai preso, enjaulado, foge, muda de estado, de família, amigos, faz cirurgia plástica nos sentimentos, mergulha nos remédios controlados, tem o “psi” como melhor aliado. Aos culpados, cabe a vida que eles desejam ter e desfrutá-la, a quem perde cabe o resto dos dias para recordar.

O tempo se encarrega de amenizar a dor, mas esquecer, jamais! Pesadelos, lembranças em jornais, casos semelhantes, ou até distintos, porém injustos, a visita de outro desconhecido em minha porta e de repente, faz com que tudo seja relembrado, sentido. Meu corpo dói, só em ouvir a palavra impunidade, minha alma grita quando ouço a sigla CTI e se desespera, e ainda que já tenha enfrentado este doloroso estágio algumas vezes na vida, nunca vou estar preparada para ocupar novamente este lugar.

Hoje sei que estava enganada, quando um dia pensei: estou vestida com as “roupas e as armas de Jorge” e mais, se meu mundo caiu como Maysa, eu que aprenda a levantar. Pensei que de forma egoísta eu conseguiria sozinha suportar, embora não sem dor, que seria simples, bastaria fugir ou tomar um remédio tarja preta e logo iria passar. Quanta ingenuidade! Quando o estranho bate novamente em minha porta, o desespero não me permite ensaiar ou planejar como enfrentar.

Neste feriado conheci uma forma diferente, acredito que mais simples e mais certeira para encarar as tempestades e injustiças. Conheci o grupo dos que acreditam, dos otimistas, dos que compartilham com amigos, dos que confessam precisar do outro. E aprendi mais, isso não é motivo para vergonha. Afinal, não vou ganhar nada sendo super-herói, não preciso sorrir o tempo todo, também não preciso mergulhar nos remédios e tão pouco fugir.

Enfrentar a realidade com a certeza de que nunca estarei só é a forma menos dolorosa para seguir em frente e se for preciso, recomeçar. Por isso, fica aqui o pedido dessa humilde amiga. Ainda que eu esteja triste, não me deixem só, não hesitem em me convidar para a mesa de bar e podem ligar às quatro horas e quarenta minutos da manhã, eu prefiro assim, um sorriso sem graça a sozinha estar.

Mas


Nos últimos dias me vejo cercada de pessoas que acabaram de terminar um relacionamento, redundante, mas como posso falar se a verdade é que estão acabando, terminando, estão em processo?! Vai lá, me vejo cercada de pessoas em processo de desquite. Sim! É mesmo uma separação, ainda que eles não tenham ouvido toda aquela missa “até que a morte os separe”, a maioria dos namoros é quase um casamento, as pessoas dividem escova de dente, toalha e dormem juntos quase todos os dias. A quarta-feira deixou de ser um dia esperado pelos casais.

O que me desperta a atenção é que todas essas pessoas que estão nesse processo tecem inúmeros e invejáveis elogios aos ex, e que o motivo do término nunca é por falta de sentimento, e sim por conta do advérbio “mas”.

Quantas mulheres não gostariam de ter um homem que paga a conta e ainda permita que ela decida tudo, local, cardápio e até a roupa que ele vai vestir? Quantas não subiriam o Convento da Penha de joelhos para agradecer por ele não gostar de futebol, play station e carro? Quem não casaria com um homem que nunca irá troca-lá por amigos e uma mesa de bar? E quem não morreria de amores por alguém que se preocupa com o seu café da manhã, vai à padaria logo cedo e ainda faz suco de laranja. Mas... É ai que entra o advérbio. Mas, falta alguma coisa! Mas, ele deixa a tolha em cima da cama. Mas, ele ronca, mas ele não sabe discutir, eu brigo sozinha, mas ele tem um filho, mas a ex-mulher dele está viva...Incrível! Nunca estamos satisfeitas. Não é em vão que dizem que mulher não é um ser para ser entendido.

Muitas mulheres entram numa relação conhecendo a bagagem que o parceiro carrega como: ex-mulher, filhos, ex-galinha, ex-namoradas ameaçadoras e tantos outros ex. Outras fazem de conta que não enxergam a verdade que está na ponta do nariz. No fundo todas pensam da mesma forma, na hora abre-te-sésamo da paixão, elas tentam se convencer de que vão conseguir driblar qualquer obstáculo ou dificuldade, tudo é possível em nome do amor. Só que um dia a paixão acaba. E agora?!

Agora, contate todas as amigas que você se distanciou por que você preferia ficar vinte e quatro horas grudadas nele. Aceite todos os convites porque senão uma hora elas desistem. Freqüente as festas que você nunca se imaginou, mesmo que seja como penetra, eventos políticos, aniversário de criança. Esteja entre pessoas, seja vista, seja lembrada. Quebre paradigmas, preconceitos. Arrume alguém para te fazer companhia no domingo à tarde, ou esteja de ressaca para não curtir a depressão digna do finalzinho de semana. Faça qualquer coisa para não ter que se contentar com as imbecilidades da televisão desse dia, pois isso pode ser um convite para os remédios controlados. Beije na boca mesmo sem estar apaixonada e se você acordar do lado de alguém que conheceu na noite passada e nem lembra o nome, desencana! Tem gente que namora por nove anos e só depois que acaba descobre que não conhecia. Tenha um amigo médico, que te convença que você é hipertensa, assim sua consciência ficará tranqüila, você poderá fazer sexo, sem que seja com o namorado de anos, afinal como disse o Ministro da Saúde: Sexo faz bem para quem sofre de pressão alta. Siga o conselho de quem entende, mas lembre-se: com proteção!

Depois de algum tempo você encontrará alguém para dividir a pizza, assistir um filme, te buscar para almoçar no trabalho, trocar presente no dia dos namorados, mandar flores e dizer que te ama. Não vai demorar muito tempo e você perceberá que o tal advérbio, mesmo que precedido do “eu te amo”, sempre vai te acompanhar. Relacionamento é isso! Mudam as pessoas, mas as pessoas não mudam e nem os porquês que as acompanham.

Proponho uma inversão. Se imagine no lugar dessa criatura que divide a cama com você. Pense nas frases que passam pela cabeça dele sobre você. Não é muito difícil: Elas nunca estão satisfeitas!

Amores eternos e perfeitos ainda existem. São raros, mas às vezes, encontramos casais que comemoram bodas de prata, ouro e até diamante. Não comece a calcular sua idade para ver se é possível você comemorar tudo isso se casar amanhã e nem se desespere se você está na lista daquelas que vive atrás de um príncipe encantado que chegue num cavalo branco, porém, sem o maldito advérbio. Hoje em dia, a missa é rara, e o discurso inverteu para: “até que a vida os separe!”, afinal, penso que é a vida que queremos ou que levamos que está separando as pessoas e não a morte.

Cheiros, temperos e desejos

Os cheiros assim como os temperos aguçam nossos desejos. E tem cada vontade insana que eles podem nos despertar. Nossos organismos reagem de formas distintas ao sentirmos aroma, odor, fragrância... Há organismos que diante de certos cheiros reagem como se estivessem sendo invadidos por um inimigo letal. Quem assistiu o Globo Repórter, da TV Globo, transmitido no último dia 21, vai entender perfeitamente o que estou falando.

Neste programa foi transmitido o caso de uma pessoa alérgica que quase sofreu uma parada cardíaca, devido o cheiro do ovo. Por vinte e cinco anos, ela fugiu de qualquer contato com esse fruto das galinhas. Estranho não é? Parece exagero, mas, é real! No domingo, não é diferente comigo. A sensação que eu tenho quando sinto o cheiro da moqueca capixaba, é muito forte. Meu corpo rejeita. Náusea! Será que devo morrer ou fugir deste lugar?

Confesso admirar a culinária do Espírito Santo, os frutos do mar e tortas, não posso negar, decoram as mesas de uma forma impecável. Mas, o cheiro do coentro, este tem que ter espírito capixaba para conseguir degustar e, eu, como gaúcha que sou, prefiro distância a ter que provar.

Então, toda semana me desperta uma saudade. É o desejo do cheiro e do gosto do prato preferido dos brasileiros... Ah o churrasco! Que desejo excêntrico que ele me dá! E todo domingo a cena se repete. Confusão de sentimentos, afinal, é nesse dia que as pessoas se reúnem e capricham no menu e, no meu “infinito particular” fico a recordar às sensações que os cheiros podem nos causar.

Sugiro uma pausa para imaginar: o cheiro da chuva quando lava a terra, do pão caseiro assando, do vinho, da primavera (flores), do banho, de uma criatura cheirosa... É uma viagem maravilhosa, alguns aromas nos fazem lembrar pessoas, lugares, situações, sensações, outros têm o dom de hipnotizar, deixam e trazem saudade.

Mas, penso eu, cada cheiro deveria ter o seu lugar. Desta forma os alérgicos teriam menos problema, o sofrimento no domingo seria menor. O coentro, assim como o fígado e a tal dobradinha não devem sair da cozinha. Concordam? E o cheiro que cerca a Leitão da Silva em Vitória e também nos espera ao descer a terceira ponte sentido Vila Velha. Esses, em lugar algum deviam estar. Vamos mais longe. Alguém gosta de cheiro de sexo? Sério! Esse é bom, mas só na cama e, às vezes serve para recordar. Convenhamos, esse tal olfato é um instrumento sensacional. Assombro-me! Vamos parar de imaginar, porque a imaginação do ser humano é fértil, e, perigo, aonde ela pode nos levar.

Boa imaginação!

Simplicidade é a lembrança mais feliz


Quando as pessoas melhoram de vida, na maioria das vezes, idealizam mudar para cidade grande e comprar uma bonita casa, preferencialmente num bairro nobre. Mas, o que é essa casa bonita? São aquelas jaulas que a cada dia tornam-se mais escassas nas grandes cidades, perdendo espaço para os prédios que também nos oferecem esse sentimento de estarmos enjaulados. Jaula? Sim!  São casas cercadas por altos muros, cerca elétrica, pedaços de vidros, arames farpados e câmeras de segurança. Então, quando essas pessoas pensam em ter seus filhos logo imaginam, ali eles estarão seguros, terão uma infância saudável, com o conforto que os pais nunca tiveram, mas não lembram do principal: da qualidade de vida, da liberdade e do quintal.

Toda vez que volto a uma cidade interiorana me desperta o enorme desejo de por lá ficar. É um resgate às minhas raízes, e para quem sabe o que é pisar numa terra vermelha, no chão batido, soltar pipa, pular o muro fugindo de uma surra da mãe, colocar a bacia embaixo da goteira da sala quando chove, ter uma varanda para brincar de boneca, um porão para o pique - esconde e no fundo de casa aquele velho galinheiro e meia dúzia de galinhas, o forno de barro, uma pequena horta e a casa do cachorro. Quem já pode desfrutar de um pouco disso que estou escrevendo, certamente vai entender o que estou falando e o que estou sentindo.

Nenhuma casa grande, bonita e cheia de segurança é capaz de proporcionar a uma criança o deslumbramento que é ver um galo, logo cedo, subindo no muro para o despertar. Nenhum brinquedo eletrônico poderá reproduzir a sensação alucinante que é segurar na mão o ovo quentinho que a galinha acaba de pôr. É o mistério da vida ali, em um ovo, nas mãos. Nenhum computador é capaz de transmitir o gosto de fazer uma casa na árvore, galho por galho, o prazer de correr atrás do cão que foge na hora do banho. Isso para mim é qualidade de vida ou talvez seja a minha felicidade realista. Conhecer, sentir, viver o mais absoluto prazer da vida e da forma mais simples do que qualquer meio eletrônico ou livro poderá um dia arriscar-se tentar.  
 
Final de semana passado estive numa cidadezinha do interior do Espírito Santo, é a segunda viagem fascinante que tenho a oportunidade de fazer neste último mês. É a segunda vez que me vejo diante de uma casa com um quintal o que me faz comparar os lugares e os tempos. A casa é toda cercada, por árvores, a segurança existe, mas é feita pelo melhor amigo do homem, o cão, o latido avisa quando alguém está chegando. Em uma casa, especificamente, a segurança era feita por um gato, até que ele fosse envenenado. Crueldade! Galos também podem fazer a segurança, e tinha um, o vizinho da família Denadai, este é um baita galo dedicado. Além de avisar quando alguém entrava no seu território ele estava sempre preparado para despertar a vizinhança, a qualquer hora do dia. Se você acorda às cinco da manhã lá está o simpático galo a cantar, mas se por acaso você curtiu a festa na noite anterior e vai dormir até o meio dia, fique tranqüilo, nosso querido vizinho já sabe e, ele espera a hora, mas não falha. Ô galo animado! Tão animado como a vida no interior.

Comparando os tempos, lembrando e relembrando esses momentos, impossível não regressar lá na minha infância quando pude conhecer o gosto de verdade de viver tudo isso e mais um pouco. Assim eu percebi que essa simplicidade é a lembrança mais feliz, simples e barata da minha vida. Percebi que posso olhar o mundo com superioridade.  A superioridade de quem tem um tesouro guardado na memória, no peito, um tesouro que poucas pessoas sabem e que eu indico a todos os “enjaulados” dar-se à oportunidade de conhecer.